quinta-feira, 30 de abril de 2026

Um espetáculo no qual o riso dialoga com a tragédia

 

O projeto Vozes Animadas, da Cia de Teatro Nu Escuro, apresenta ao público de Goiânia mais um trabalho de teatro de animação com personagens femininas no centro de sua dramaturgia. O grupo vai apresentar “Barbas” nos dias 6 e 7 de maio, às 19 horas, no Teatro SESC Centro. As apresentações são gratuitas.

 

Com linguagem cênica baseada no teatro de bonecos, “Barbas” estreou originalmente em 2021 no formato de websérie, uma adaptação necessária diante das restrições impostas pela pandemia de Covid-19. Posteriormente, a obra foi levada para os palcos, tornando-se o 16º espetáculo encenado pelo grupo goiano.

 

Em cena, Lázaro Tuim, Izabela Nascente e Ludmylla Marques contam a rotina de Marabel, uma menina de 11 anos, em plena fase de descobertas sobre a vida, seus medos, prazeres, vergonhas, e tudo mais que há para saber. Sua rotina é destruída pela morte da irmã e pelo adoecimento da mãe, mergulhando-a em tristeza e depressão. Em busca de refúgio, Marabel entra em um lugar mágico, que pode ser um delírio ou outra dimensão, onde conhece Julia Pastrana, que lhe mostra uma nova perspectiva sobre a vida e os padrões sociais. Transformada pela experiência, Marabel retorna ao seu mundo com novas idéias e, através de inúmeras trapalhadas cênicas, consegue trazer alegria de volta para sua mãe e iluminar seu cotidiano com esperança.

 

O espetáculo

A montagem, dirigida por Izabela Nascente, utiliza o grotesco e o teatro de animação para criar um espaço onde o riso dialoga com a tragédia. A história de Marabel ganha um novo rumo quando sua irmã morre, levando-a a enfrentar o luto e o adoecimento da mãe. Em meio à melancolia, a menina se vê transportada para uma realidade alternativa, um local conhecido como “Freak”, onde encontra Julia Pastrana, uma artista do século XIX que se apresentava em Freak Shows. Nesse ambiente, Marabel descobre novas formas de enxergar o mundo e, ao retornar para casa, tenta compartilhar sua experiência, trazendo leveza ao cotidiano e despertando um sorriso no rosto de sua mãe.

 

A concepção de “Barbas” tem como base três pilares: uma pesquisa de oito anos conduzida por Izabela Nascente, a identidade estética da Cia Nu Escuro e a reinvenção do grupo durante o período pandêmico. O espetáculo surgiu a partir da dissertação de mestrado da diretora, intitulada “O Freak Show e Julia Pastrana”, que investiga a trajetória da artista mexicana que se tornou símbolo de espetáculos de exibição de pessoas com características incomuns.

 

A pesquisa de Izabela se cruza com suas vivências pessoais e histórias de outras mulheres que também precisaram enfrentar violências e desafios impostos pela sociedade. O processo de dramaturgia contou com contribuições de diversas artistas, como Rô Cerqueira, Adriana Cruz e Milena Jezenka, que trouxeram pluralidade ao roteiro.

 

“Barbas” mantém elementos característicos do repertório da Cia Nu Escuro, como o uso do grotesco, a animação de bonecos e o humor como ferramenta para abordar temas complexos. O espetáculo dialoga com outras produções do grupo, como “Pitoresca”, “O Alienista”, “Carro Caído” e “O Cabra que Matou as Cabras”. Nesta montagem, a companhia aprofunda aspectos sombrios da linguagem grotesca, explorando o inconsciente e elementos do estranhamento, em diálogo com os estudos do teórico Wolfgang Kayser.

 

Com um histórico consolidado no teatro brasileiro, a Cia Nu Escuro reafirma sua identidade ao apresentar um espetáculo que mescla pesquisa, arte e reflexão, convidando o público a uma experiência sensorial e emocional no palco do SESC Centro.

 

Com: Lumieira Comunicação

Foto: Layza Vasconcelos

Este post foi escrito por: Britz Lopes

As opiniões emitidas nos textos dos colaboradores não refletem necessariamente, a opinião da revista eletrônica.

Deixe uma resposta