No Chipre, entrei no projeto eu amo o meu Brasil

Marcio Fernandes – Acaba de ser divulgado o Indicador Internacional do Suco de Laranja (International Orange Juice Index – IOJI) 2026. O índice de avaliação da fruta cítrica foi por mim criado em 2008.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO, sigla em inglês), o reconheceu três anos depois do aval do Banco Mundial. O resultado é absolutamente desconcertante e altera a configuração geopolítica do Oriente Médio.
Determinada banca de frutas da Rua Allenby, em Tel Aviv, Israel, liderou o ranking por 18 anos. De acordo com resultados, o estabelecimento perdeu o primeiro posto do melhor melhor suco de laranja do planeta para uma birosca localizada em Larnaca, Chipre.
O suco israelense caiu para a segunda posição no IOJI por um critério mínimo de desempate: certo sabor sutilmente salino da fruta cultivada na ilha do Mediterrâneo. Em Larnaca, uma multidão foi para as ruas celebrar a conquista.

Já o funcionário da birosca – que pediu para não ter o nome revelado, mas é sabido se tratar de um camarada originário de Bangladesh – será consagrado com a Grã-Cruz de Valentiano III, maior comenda da República de Chipre.
O pessoal de Bangladesh forma a base da mão de obra barata do país localizado no Oriente Médio, integrante da União Europeia e aderente à zona do euro. Eles andam aos bandos pelas ruas da cidade, adoram um ponto de ônibus e conversam o tempo todo no WhatsApp.
Em comum, guardam o traço de ostentar cabelo que parece ter sido banhado no óleo de soja depois da fritura de 987 coxinhas com catupiry. Característica de quem corre do banho diário.
O que temos, eu e você, rigorosamente a ver com isso? Nada! No entanto, é preciso observar que no restaurante onde iremos almoçar tem um porco na cozinha a preparar o alimento.

Inclusive, há séria suspeita de que o sabor levemente salino do tal suco de laranja, vencedor do IOJI, tenha sido provocado pela falta de higiene das mãos do camarada da birosca premiada.
Ao chegar ao Brasil, vou me automedicar com vermicida que leva o nome da cantora brasileira, Anitta. A artista é mais dissimulada do que a Janja, primeira-dama do Brasil, considerada a rainha da nota de 13 dólares.
Anitta é engajada no movimento woke e em apoio às minorias, no entanto fez três procedimentos para afinar o nariz. Nada contra a incoerência, mas comigo assim não dá.
Sou mesmo um brasileiro muito desarrumado por ter pavor de futebol e mais ainda da tal crônica esportiva. Antes da partida, o cara faz especulação sobre um resultado imprevisível.

Após o jogo, fica martelando a cabeça da gente a respeito de um fato consumado. Minha audiência é zero para copa do mundo.
Só não considero desfile de escola de samba o maior espetáculo da monotonia da terra, pois existem os oceanos e os mares. Para mim, eles são todos iguais.
A única coisa de proveitoso que observo no mar é a tainha, peixe maravilhoso do litoral sul do Brasil, pescado nos dias em que sopra o gelado vento Minuano.
Já ia me esquecendo de um o ditado que diz não ser necessário beber um oceano para descobrir que água é salgada. Trocando em miúdos, gente mau-caráter que te fez mal uma vez, não vai perder a próxima oportunidade.
Tenho a grande virtude de não me esquecer e nem de perdoar esse tipo de gente. Nada a ver com vingança, outro sentimento que não tenho. Agora, não faço comentários sobre o inimigo.

Não vou a festa nem em noite de gala no Copacabana Palace se um deles estiver lá. Neste caso, lembro meus amigos de que o fato de eu não ser convidado faz parte da festa.
Estou em Agia Napa, cidade situada na costa leste do Chipre, com um mar lindo que eu só chego perto para tirar fotografias. De fato, as tonalidades de azul são deslumbrantes.
Trata-se da mesma imagem dos mares Adriático e Egeu, das Ilhas Maldivas e talvez até do nordeste brasileiro, local que nunca voltarei. Não precisam me convidar para conhecer Fernando de Noronha. A resposta será não.
Estive uma vez na capital do Rio Grande do Norte. Da boa lembrança, ficaram a amabilidade potiguar e certo filé convertido em carne de sol. Na minha cidade, Goiânia (GO), não há um restaurante que sirva o prato com alguma decência.
Tenho pavor da Bahia e de toda música baiana. Fiz, antes da pandemia, viagem de mochila desde Fortaleza (CE) até São Luiz (MA) de ônibus desarrumado, van e pau de arara. Foi muito bom e está visto.

Vale ressaltar a miséria a qual são submetidos os maranhenses. A situação das casas de taipa cobertas de palha de babaçu lembram muito o sertão de Goiás de 50 anos atrás.
E o povo, feliz com os donativos estatais, elege as mesmas oligarquias e faz o melhor vinagrete da América Latina. Dá pena, mas cada um sabe como exercer o direito do voto, especialmente eleger o neobaronato do Partido dos Trabalhadores.
Em Agia Napa, não faltam passeios com guia para a turistada. Trata-se de outra coisa que não faço. Por isso, peguei um ônibus para conhecer as Cavernas do Mar e o Cabo Grego, situados no nordeste de Chipre. O veículo é um espetáculo. Novo, elétrico e limpo. Você flutua na estrada.
As formações geográficas integram o Parque Florestal Nacional do Cabo Greco, famoso por trilha de caminhada de longa distância e paisagens marinhas espetaculares.
Foi uma viajem instrutiva sobre o ambiente de 385 hectares, no qual estão abrigadas 36 espécies de orquídeas e outras 80 de aves.
Não dei confiança para esse pessoal da flora e da fauna, mas apreciei bastante o trekking e o ambiente do parque. Foram sete quilômetros de caminhada em ambiente rústico e de sol muito quente, disfarçado pela brisa do mar.
A caminhada é puxada. Na ida, três gordinhas da Andaluzia desceram na alegria, com a cabeça cheia de aperol com vodca. No retorno, tiveram de encarar o longo aclive de arrecife e tiveram algum desentendimento.

Estou precisando muito de ver montanhas, comer arroz com feijão, bife, salada de tomate, com macarrão zurrapa. Na verdade, depois de tantos dias de viagem, bateu em mim o projeto eu amo o meu Brasil.
Trata-se de sentimento nativista mais profundo do que o amor entre Ceci, nobre portuguesa, e Peri, bravo indígena. O casal foi consagrado na literatura de José de Alencar e na ópera de Antônio Carlos Gomes.
Falando francamente, estou até com saudade da propaganda radiofônica do governo Lula na Voz do Brasil.
Marcio Fernandes, jornalista, é autor do texto e das fotografias
Genial, meu amigo Márcio, que além de gênio é genioso. O que lhe deixa melhor ainda.
Salve, grande Márcio Fernandes, meu amigo viajor incansável e repórter de grande valor. De tudo, só divergimos no meu amor ao futebol e às fofocas (que minha mulher sabiamente designa de papo de lavadeiras, o que é um demérito para as valorosas trabalhadoras…Vou providenciar um bom filé no seu retorno a Goyaz.
O texto do meu amigo/amado Márcio é sempre uma deliciosa surpresa! Com licença de Britz, eu sempre estou “viajando” com ele e desejando ser melhor pintora para aquarelar as fotos. Só não gostei da cor do suco de laranja😜
Olá Márcio. Esse suco de Laranja deve ser emoldurado e colocado num local especial nacsaka. Pior do que isso, só o sabonete Soviético que encontrei nos supermercados de Budapeste em 1989… 🙂