Por que vou votar em Flávio Bolsonaro para presidente

Demóstenes Torres — Dos 4 domingos de outubro, tire o 2º e o 3º para ouvir, o 1º e o último para ser ouvido. Dedique-se, no dia 11, a Renato Russo, 30 anos na memória; 18/10, a Chuck Berry, em seu 100º aniversário de nascimento. Enquanto lê este artigo, instigue-se com “Que país é este”, do Legião Urbana, e “Route 66”, de Berry, que nasceu no cruzamento dela com o Rio Mississipi. Dias 4 e 25 serão o 1º e o 2º turno das eleições gerais.
A minha geração lutou muito, cada indivíduo a seu modo, até ter o direito de eleger o presidente da República. Para dar ideia, Renato Russo votou apenas duas vezes. Conquistamos a escolha de governador, em 1982, mas Renato ainda morava em Brasília, que só votaria para GDF em 1990. Em seguida, prefeito da Capital dos Estados, em 1985. Faltava a responsabilidade e o privilégio maior, alcançados em 1989, quando o líder do Legião teve a oportunidade de estrear o Título de Eleitor.
Portanto, quem não faz o alistamento, deixa de comparecer à seção, vota em branco ou anula está sapateando sobre cadáveres de muita gente boa que se sacrificou por essa vitória. Está menosprezando pessoas que perderam o emprego, a liberdade, os movimentos. Então, neste domingo, vote.
Há opções para todos os gostos, visões, localidades, estilos, preparos. Estão corretos os cards que enviam no seu zap-zap e as frases que aparecem no seu perfil na rede social: pior que a lista disponível para cada cargo é não escolher um daqueles nomes. São ruins? São. São todos ruins? Não. São todos iguais? Não. “Nas favelas, no Senado/ Sujeira pra todo lado/ Ninguém respeita a Constituição”, escreveu Russo em 1978 e poderia ter sido ontem, arrematando como quem conhece o Brasil da esperança, “mas todos acreditam no futuro da nação”.
Com essa crença, vá à urna. Lá, comece com quem estará na Câmara, parlamento de altíssima importância. Em seguida, o voto para deputado estadual ou distrital, igualmente valioso. Nos dois casos, procure saber seus projetos, nada a ver com dinheiro ou obras, influência desse ou daquele.
São três os cargos majoritários em disputa, presidente, governador e senador, este com duas vagas – meus conterrâneos me honraram duas vezes com o 1º lugar para a bancada de Goiás no Senado, em 2002 e 2010. Antes da votação vem a vocação, tem político com ótimo desempenho no Executivo e zero no Congresso ou vice-versa. Estude bem as propostas de cada um.
Ao contrário do que previu Russo, o Brasil vai ficar rico sem vender a alma de seus índios num leilão. Os versos de “Que país é este” lhe martelam a cabeça e tomara que ela seja aberta, porque o país é riquíssimo. Para aproveitar essas fortunas em favor desta nação, vou fazer o L, porém o L de PL, pois meu voto será em Flávio Bolsonaro para presidente na expectativa de seu governo ser realmente liberal.
Flávio deve diminuir o assistencialismo, porque a transferência de renda não é do programa social para o tigrinho e sim do ontem para o amanhã. Para dar ideia, o Bolsa Família só tem entrada. E entra quem precisa e quem não precisa. Tinha 1,15 milhão de famílias em 2003, mais que dobrou em 2004 (3,6 milhões), mais que dobrou novamente em 2005 (8,7 milhões). Custou R$ 158 bilhões em 2025. Termina este setembro com 9.295.378 famílias e seus 29.154.974 integrantes. Só um dos programas sociais. São dezenas. Ainda assim, há fome em 6,5 milhões de lares, segundo a ONU. É o desafio para Flávio fazer o benefício chegar a quem é de fato carente e oferecer a chance de viver longe das benesses oficiais.
O maior programa social tem de ser a educação em tempo integral, que não é só amontoar estudantes nas velhas escolas, com os velhos métodos de ensino. Exige prédios confortáveis. Substituir a ideologia pelo mérito. Professores vocacionados, capacitados e remunerados à altura de seus resultados. Investir tudo no trinômio que transformou a Ásia, tecnologia, tecnologia e tecnologia.
Na segurança pública, firmeza e estratégia para eliminar as facções. Austeridade econômica e combate ferrenho à inflação, pois se não derrubar os juros quem cai é o comércio, quem não levanta é a indústria, quem vai à lona é o setor de serviços. Industrializar as 5 regiões. Explorar os recursos naturais em conjunto com a iniciativa privada e aplicar os recursos em infraestrutura. Privatizar o que não for essencial ao país. Reconfigurar as relações trabalhistas, inclusive a legislação e o Judiciário específico. Nova reforma tributária e uma definitiva reforma previdenciária. Quando estiver com maioria no Congresso, articular uma Assembleia Nacional Constituinte, a ser eleita em 2030. Quem sabe a próxima Constituição mereça o respeito que Renato Russo lamentou para a da sua época.
O texto está terminando junto com os acordes da guitarra de Chuck Berry. A Rota 66 acaba às margens do Pacífico. É como desejo que se conclua a eleição, em paz. Que país é este, Renato? É o que vamos construir juntos, afinal, todos acreditamos no futuro desta nação.