sexta-feira, 24 de julho de 2026

A arte de recolher as âncoras

 

 

Rosa Donzelli — Há barcos que atracam em nosso porto apenas para nos ensinar a navegar em mar aberto. Quando a tempestade passa, compreendemos que algumas presenças tinham prazo de validade e que insistir na permanência é o mesmo que tentar reter o vento.

 

A evolução do espírito nos afasta da ilusão de consertar correntes que não nos pertencem. O discernimento chega quando percebemos que o solo fértil não é aquele onde se tolera qualquer espinho, mas o espaço onde a terra é cultivada em mútua harmonia.

 

Bondade autêntica não é sinônimo de silêncio diante da indiferença. Quem compreende o próprio valor aprende a fechar portas com suavidade, entendendo que certas ausências funcionam como um filtro natural para a alma respirar aliviada.

 

O vazio deixado por quem parte não rima com desolação; traduz-se no resgate do próprio eixo. É o retorno ao templo interior que andava esquecido em meio ao barulho alheio.

 

Quando o sim automático pesa mais que a própria vontade e o medo do julgamento alheio nos algema, o remédio amargo não é a busca por mais afeto, e sim a dose exata de ousadia.

 

Ousadia para desagradar quem se acostumou com a nossa submissão.

 

Ousadia para traçar linhas que o egoísmo alheio não ousa ultrapassar.

 

Ousadia para assumir o protagonismo da própria história, sem pedir licença para ser feliz.

Este post foi escrito por: Rosa Donzelli

As opiniões emitidas nos textos dos colaboradores não refletem necessariamente, a opinião da revista eletrônica.

Um comentário em "A arte de recolher as âncoras"

  • Christine Almeida Maia disse:

    Adorei o texto !!!!!!👏👏👏👏👏Um navio ancorado não corre risco de tempestade, mas tbem não cumpre sua missão , assim é a vida !

Deixe uma resposta