A arte de recolher as âncoras

Rosa Donzelli — Há barcos que atracam em nosso porto apenas para nos ensinar a navegar em mar aberto. Quando a tempestade passa, compreendemos que algumas presenças tinham prazo de validade e que insistir na permanência é o mesmo que tentar reter o vento.
A evolução do espírito nos afasta da ilusão de consertar correntes que não nos pertencem. O discernimento chega quando percebemos que o solo fértil não é aquele onde se tolera qualquer espinho, mas o espaço onde a terra é cultivada em mútua harmonia.
Bondade autêntica não é sinônimo de silêncio diante da indiferença. Quem compreende o próprio valor aprende a fechar portas com suavidade, entendendo que certas ausências funcionam como um filtro natural para a alma respirar aliviada.
O vazio deixado por quem parte não rima com desolação; traduz-se no resgate do próprio eixo. É o retorno ao templo interior que andava esquecido em meio ao barulho alheio.
Quando o sim automático pesa mais que a própria vontade e o medo do julgamento alheio nos algema, o remédio amargo não é a busca por mais afeto, e sim a dose exata de ousadia.
Ousadia para desagradar quem se acostumou com a nossa submissão.
Ousadia para traçar linhas que o egoísmo alheio não ousa ultrapassar.
Ousadia para assumir o protagonismo da própria história, sem pedir licença para ser feliz.
Adorei o texto !!!!!!👏👏👏👏👏Um navio ancorado não corre risco de tempestade, mas tbem não cumpre sua missão , assim é a vida !