segunda-feira, 17 de junho de 2024

A Europa está os olhos da cara

Torre de Belém, em Lisboa – Pt (Foto: Rimene Amaral)

 

A conversão do real para o euro é a primeira conta que brasileiro faz quando vai a Europa. Pois converse com o cardiologista, já que teu nível de estresse orçamentário vai subir bastante. O Velho Continente está muito mais caro do que aquele padrão de preço anterior à pandemia. Subiram bem energia, alimentação, transporte e toda cadeia econômica do turismo. Hospedagem é o item que mais encareceu enquanto o vinho, para conforto dos esfolados, manteve os preços baixos. Holandeses, belgas e alemães estão perplexos com a variação do custo de vida por conta da inflação alta. Não tem mais bacalhau a 5,98 euros em tasca pé sujo de Lisboa. Aquele pedaço generoso de Focaccia de 1,50 virou 4 euros na Itália.

 

 

Julho e agosto, por serem os meses de férias no Hemisfério Norte, são naturalmente mais onerosos do que nas outras temporadas. Só que o custo inflacionário da energia elevou os preços de bens e serviços em escalada impressionante. Para piorar, a desvalorização do euro em relação ao dólar encareceu as importações e naturalmente a conta do supermercado e do restaurante. Há risco de que a União Europeia, composta por 27 países, entre em recessão por escassez de energia. Quando o presidente Vladmir Putin iniciou a Guerra da Ucrânia tinha em mente criar uma crise energética para colocar os europeus de joelhos. Prolongar o conflito é uma estratégia da Rússia para asfixiar a União Europeia aos poucos.

 

Neste verão, os europeus do norte aproveitam os dias de sol raros com a cabeça no inverno. Precisam de energia para aquecimento dos ambientes público e privado. A suspensão ou o fornecimento irregular do gás da Rússia, 40% da demanda europeia, já tem aumentado a compra do produto embarcado em navios nos Estados Unidos e no Oriente Médio. Além dos americanos, Egito e Israel se preparam para fazer grandes negócios. Ocorre que substituir um gasoduto por navios incrementa o custo operacional, além de exigir manejo logístico complicado em razão da escala do empreendimento. Não há no mercado embarcações suficientes para tal iniciativa. Nada que a engenharia europeia não resolva.

 

Fontana di Trevi, em Roma – It: Situada numa das regiões mais caras da capital italiana (Foto: Rimene Amaral)

 

Mesmo com a taxa de câmbio menos corrosiva, neste momento viagem barata a Europa é produto que falta na prateleira, inclusive no poleiro das aeronaves que cruzam o Oceano Atlântico. O preço interno das passagens está nas alturas. Para reduzir o custo de viagem, as alternativas seriam partir para a locação temporária de imóvel, ficar mais tempo em poucos lugares e fazer o máximo de refeição em casa. Preparar café da manhã é moleza, mas para um jantar você precisa saber cozinhar. Do contrário, a iniciativa será uma roubada muito cara. Outra dica é ficar nos finais de semana em cidades menores, com menos apelo turístico. Há muitos lugares interessantes além dos clichês dos grandes centros urbanos. Se for reservar hotel, faça uma busca, pegue o telefone e negocie o pagamento em espécie.

 

Não faça economia idiota como a que pratiquei em Lisboa. Procurei uma pensão zurrapa para fechar a viagem. O lugar era tão sujo, quente e desqualificado que me senti por um dia o próprio refugiado do Sri-Lanka. Evite o cartão de crédito pois ele será a tua ruína. Pode não sobrar real para pagar o antidepressivo. Esqueça o imã de geladeira para os amigos, tome água de torneira e reserve os domingos para os museus que praticam a gratuidade neste dia sagrado do civilizado mundo cristão-ocidental.

 

Marcio Fernandes é jornalista

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Este post foi escrito por: Marcio Fernandes

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