terça-feira, 23 de abril de 2024

Aruba, onde o vento sopra numa única direção

As fofotis são árvores-símbolo da ilha: tombadas pelo vento / Foto: Rimene Amaral

 

Quando se fala em Caribe, imediatamente vem à mente um mar de águas transparentes, que vão do verde claro ao azul intenso, passando por todas as tonalidades dessas duas cores. E é exatamente isso! É um mar que parece radioativo pelas cores e pelo brilho. Aruba é um pedacinho desse paraíso, com povo alegre, que fala o papiamento, uma mistura de várias línguas, sendo o holandês, o espanhol e o português as principais. Em Aruba as construções coloridas lembram as da Holanda, a comida é para ser consumida de joelhos e a música que, assim como o samba, é muito animada. É muita energia num lugar de apenas 193 quilômetros quadrados, no Mar do Caribe, pertinho da costa da Venezuela, onde o sol é quente o ano todo e o vento sopra sempre para uma única direção.

 

Mar azul esverdeado e árvores inclinadas pelo vento / Foto: Rimene Amaral

 

A insistência do sopro do vento acabou criando um dos cartões postais mais conhecidos da ilha. As fofotis são árvores-símbolo da ilha e têm um formato incomum justamente por causa do vento. Em Eagle Beach, uma das praias que ficam próximas a Oranjestad (pronuncia-se “Oranhestád”), capital de Aruba e centro econômico da ilha, duas dessas árvores são os points mais visitados para se fotografar e apreciar o pôr do sol fazendo poesia. Outro símbolo da ilha são as iguanas coloridas e mansas e sempre procuram um lugar ao sol.

 

Pôr-do-sol dourado na ilha caribenha / Foto: Rimene Amaral

 

Aruba foi descoberta e ocupada em 1499 por exploradores espanhóis e adquirida pelos Países Baixos em 1636. A ilha separou-se das Antilhas Neerlandesas em 1986 e tornou-se uma dependência autônoma do Reino dos Países Baixos. A população é de 105 mil habitantes entre nativos e estrangeiros, com gente de várias partes do mundo, como Holanda, África Ocidental, Estados Unidos e, praticamente, todos os países da América Latina. Apesar da língua oficial – o papiamento – quem tem uma boa noção de espanhol e inglês se comunica bem. A moeda local é o Florim de Aruba – que vale 60% de dólar –, mas o dólar também circula na mesma intensidade, tanto que os preços são cotados nas duas moedas.

 

As iguanas estão por toda parte na ilha / Foto: Rimene Amaral

 

Os recursos naturais são escassos. Em Aruba, toda a água consumida é proveniente da dessalinização da água do mar, feita por um processo conhecido por osmose reversa. O tratamento dado permite que, em qualquer parte do território, toda a água que saia das torneiras seja potável. A energia também é produzida pelas termelétricas que queimam o petróleo importado da Venezuela. Mas isso já está diminuindo. Na parte sul da ilha, já são vistos grandes cata-ventos – turbinas que geram energia eólica, responsáveis pela produção de cerca de 20% da energia consumida em Aruba. Na vanguarda da revolução verde, o governo acredita que em oito anos 100% da energia da ilha será proveniente de fontes renováveis. A economia gira única e exclusivamente em torno do turismo. Por isso mesmo, hotéis de todas as categorias, para todo tipo de bolso e gosto estão espalhados ao longo da orla de Oranjestad. Há também excelentes opções de apartamentos para alugar em pequenos condomínios.

 

Como a circulação de turistas é grande, Aruba tem dois momentos: um deles é o dia ensolarado. Depois que sol se põe, a ilha vira outra. A noite ferve! Bares, restaurantes, shows nas ruas, karaokês, boates e cassinos. Muitos cassinos. Qualquer um que tiver 18 anos pode tentar a sorte com pelo menos U$1. Há restaurantes que oferecem vouchers de U$15 para alguns dos mais renomados cassinos e, se a sorte estiver do seu lado, você pode até fazer uma pequena fortuna.

 

Caminhada na praia / Foto: Rimene Amaral

 

As praias

Deixei para falar das praias por último. São uma pintura. Todas elas. Bem próximo a Oranjestad, está Eagle Beach, disputada pelos turistas por causa da paisagem e do pôr do sol. Rumo ao Norte, está Palm Beach, quintal dos mais famosos e suntuosos hotéis e resorts da ilha. Depois Boca Catalina, lugar de belíssimas casas de praia e frequentada mais por low profiles. Mais adiante, também ao Norte, chega-se a Arashi Beach, um dos points dos surfistas, com mais vento. Ao Sul ficam Mangel Halto Beach – onde é possível andar mar adentro por quase 200 metros com águas rasas e mornas –, Savaneta Beach, Rodger’s Beach e a queridinha Baby Beach, pequena e calma como um bebê. Baby Beach é um dos locais propícios para mergulhos rasos, com snorkel, para apreciar um outro paraíso colorido mar adentro.

 

Praias rasas e de águas calmas e mornas / Foto: Rimene Amaral

 

O mais impressionante quando nos deparamos como Mar do Caribe é a intensidade das cores. E, dependendo do ângulo do sol, é quase inacreditável pensar que todas as cores vistas são apenas reflexos da água e não luzes radioativas vindas do fundo do mar. Praias de areias brancas, praias de corais, com ondas, sem ondas, de águas mornas… Mas todas com a mesma exuberância de fazer qualquer ser humano parar para pensar que estar em Aruba é sempre um momento especial.

 

Em Aruba é bom saber…

Chegar até Aruba é uma aventura. Poucas empresas aéreas fazem a rota que, geralmente, tem uma conexão na Cidade do Panamá. Mas cuidado! Há muitas, mas muitas reclamações de malas extraviadas e perdidas. Os comerciantes dão notícias todos os dias de turistas que chegam para comprar uma coisa ou outra na esperança de que a bagagem apareça, o que quase nunca acontece. Pesquise antes para não ter dor de cabeça depois. O melhor mesmo, caso isso aconteça, é não se preocupar e tentar curtir a que há de melhor em Aruba: tudo! Mas, se é que conselho adianta, leve apenas uma bagagem de mão com roupas leves e frescas e uma indumentária mais refinada para quem pretende visitar restaurantes chiques e cassinos.

 

Aruba tem um sistema de transporte simples, mas eficaz. O transporte coletivo, o Arubus, está presente em todas as partes da ilha. Mas tem também táxi e um bondinho que anda pelo centro de Oranjestad numa volta que dura 40 minutos e é de graça. Mas, para quem pretende conhecer a ilha de norte a sul, o melhor mesmo é alugar um carro. Um popular compacto para quatro pessoas sai por cerca de R$1.500 por sete dias. É muito mais tranquilo e, no fim das contas, sai mais barato.

 

O sunset na ilha é sempre um evento / Foto: Rimene Amaral

 

Preço de ouro

Em uma ilha de águas coloridas e mornas, com sol quente o ano todo e cheia de gente que procura exatamente por isso, não poderia faltar cerveja, um dos itens mais caros para os forasteiros. A maioria das praias na orla próxima a Oranjestad fica no ‘quintal’ dos hotéis e resorts. Qualquer um pode frequentar, mas para ter um lugar à sombra ou uma cadeira de praia é preciso consumir. E prepare-se: cada cerveja long neck de 200 mililitros (a menor) custa a bagatela de U$8. Se pedir um baldinho com cinco unidades, cada uma sai por U$6. A dica é passar num dos vários supermercados e comprar a mesma cerveja por aproximadamente U$1,3. Aí é fazer a conhecida farofa, com caixa de isopor e tudo. Bons vinhos também podem ser comprados nos supermercados a preços honestos. Já nos restaurantes, o preço de uma garrafa é um pouco mais condimentado, como em qualquer parte do mundo.

 

Reservas

Fazer uma pesquisa antecipada de restaurantes e as reservas pela internet são fundamentais para garantir uma mesa. O The Flaying Fishbone, em Savaneta Beach, serve comida variada, com vinhos honestos e com um diferencial: as mesas ficam dentro d’água, de frente para o pôr do sol. Imagine comer camarões-jumbo gratinados com queijo, com os pés na água do mar e assistindo o dia findar! Outro restaurante bem cotado é o Papiamento, que fica num casarão antigo e tem um cardápio variado. Faça reserva antecipada e peça uma mesa ao lado da piscina. Outro lugar para se comer e beber bem é o Quinta del Carmen. É também um casarão antigo, com ambiente acolhedor e pratos bem servidos.

 

The Flaying Fishbone: comida boa, vinhos honestos e pés no mar para ver o sunset / Foto: Rimene Amaral

 

Os restaurantes servem comidas variadas, mas vale a pena se perder nos sabores caribenhos. Fuja do convencional, mas pergunte até saber exatamente o que é. Na dúvida, recue. Quiabo grelhado é bom. Canela também. Mas os dois juntos com um frango ao molho não proporcionam um sabor muito agradável ao nosso paladar. Frutos do mar são a melhor pedida, sempre frescos e com preços em conta.

 

Turista alimenta flamingos na ilha particular do hotel / Foto: Rimene Amaral

 

Ilha particular

Aruba também tem surpresas. A cerca de 10 minutos da costa, há uma ilha particular do Hotel Renaissance. Em uma das praias, os flamingos são a atração principal. Turistas fazem de tudo para tirar uma boa foto com as aves. Para isso, o hotel dispõe de máquinas de ração para os animais. Por U$0,5 dá para alimentar os flamingos por um tempo enquanto se faz as fotos. Para se chegar até a ilha, é preciso pagar. O ticket custa U$99 por pessoa e dá direito a passar o dia todo na ilha, com wi-fi de graça e almoço incluído. E atenção! Antes de comprar o ticket, procure saber quanto custa uma diária para se hospedar. Uma suíte para três pessoas sai por U$300 e dá direito a frequentar a ilha por dois dias, além de poder frequentar também a piscina de um renomado hotel, com borda infinita e vista para o poente. De quebra, vale até um drink, ao som de DJs que fazem a festa o dia todo, ao lado de famosos como o lutador Conor McGregor ou a cantora inglesa Lisa Stansfield. No mais, é só respirar e suspirar. Ariba, Aruba!

 

 

Rimene Amaral é jornalista e fotógrafo.

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Este post foi escrito por: Rimene Amaral

As opiniões emitidas nos textos dos colaboradores não refletem necessariamente, a opinião da revista eletrônica.

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