segunda-feira, 26 de outubro de 2026

As urnas decidiram. Mas como silenciar o que sentimos?

 

Rosa Donzelli – Uma eleição termina quando as urnas anunciam o resultado. Mas, dentro de cada um de nós, há sentimentos que não terminam com a contagem dos votos.

 

Hoje, mais do que a tristeza de um resultado, sinto a dor de quem ama o Brasil e não consegue olhar para o futuro sem inquietação. Dói quando nossas esperanças parecem se distanciar da realidade que sonhamos para o nosso país. Dói perceber que aquilo que nos preocupa profundamente pode não ser percebido da mesma maneira por milhões de brasileiros.

 

Respeitar a democracia é um dever. Mas respeitar o resultado das urnas não significa ser obrigado a esconder a tristeza, abandonar as próprias convicções ou fingir que está tudo bem.

 

Não está tudo bem quando temos medo do futuro. Não está tudo bem quando os valores em que acreditamos parecem tão distantes dos rumos que o país escolhe. E não está tudo bem quando amar a própria pátria se transforma em motivo de angústia.

 

Não escrevo movida pelo ódio a quem pensa diferente. Escrevo com a dor de quem gostaria de sentir mais esperança, mais segurança e mais confiança no amanhã.

 

O Brasil não é propriedade de quem vence uma eleição. É a casa de todos nós, inclusive daqueles que hoje estão tristes, decepcionados e apreensivos.

 

Que a democracia nos permita discordar sem nos odiar, questionar sem sermos silenciados e continuar defendendo aquilo em que acreditamos.

 

As urnas decidiram. E a decisão precisa ser respeitada. Mas a consciência não se submete a resultados eleitorais, e as convicções não desaparecem porque fomos vencidos nas urnas.

 

Hoje, talvez me faltem motivos para comemorar. Mas não me falta o direito de sentir, de questionar e de continuar desejando um Brasil melhor.

 

Porque a minha dor não nasce da derrota de um partido. Nasce do amor que sinto por um país cujo futuro também é o meu.

 

E é justamente porque amo o Brasil que não consigo ser indiferente ao seu destino.

Este post foi escrito por: Rosa Donzelli

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