quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Bossa nova com o duo Primas

 

O duo Primas, formado pelas cantoras Míriam Veiga e Márcia Jácomo, apresenta o show Bossa Nova e Brasileirices com Primas no dia 16, sexta-feira, na Cerrado Cervejaria. A apresentação é a estreia do projeto Toca da Bossa, uma cena cultural da bossa nova em Goiás. O repertório combina a bossa nova com samba-canção, MPB e jazz. As edições são produzidas pelas cantoras Míriam Veiga e Márcia Jácomo, que receberão convidados de excelência.

 

O show intimista é direcionado aos apreciadores da boa música. No repertório estão músicas de Tom Jobim, João Donato, Caetano Veloso, Chico Buarque, entre outros. “Propor uma noite de bossa em 2026 é afirmar que esse repertório é contemporâneo, atual e sempre renovável”, afirma Míriam Veiga.

 

Márcia Jácomo e Míriam Veiga são primas e, além de terem o trabalho individual, têm também o projeto Primas, no qual compartilham o palco da Toca na Bossa, com muita bossa, ritmo, sensibilidade e alegria.

 

Na estreia, as cantoras estarão acompanhadas pelos músicos Luiz Alves (violão), Ney Quiñonero (guitarra), Luiz Sardinha (contrabaixo) e Jader Gomes (bateria).

 

As cantoras

Márcia Jácomo e Míriam Veiga são cantoras e compositoras. Começaram suas carreiras na década de 1990, acompanhadas por renomados músicos da cena goiana e nacional, ao lado de Bororó Felipe, Marcelo Maia, Fred Valle, Luiz Chafin, dentre outros. As cantoras foram backing vocal da alemã Anne Higis em show feito em Goiânia. Fazem shows em Goiânia e algumas cidades do Estado de Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Brasília.

 

Márcia Jácomo cantou muitos anos na Georgia (EUA), onde fez duo com o virtuoso violonista pernambucano Ednaldo Queiroz. Na Califórnia (EUA), cantou na banda Mais Bossa, reconhecida e aplaudida nos bares e teatros Californianos, acompanhada pelos músicos Marcos Silva, Alex Calatayud, Billy Larkin, Patrick Langham, Kevin Welch, Scott Thompson, Dave Ridnell, dentre outros (músicos reconhecidos na cena californiana). Fez participação especial em show de Mônica Salmaso, Guinga, Chico Pinheiro, Mauricio Zotarelli e outros em Cazadero California.

 

Míriam Veiga apresentou seu trabalho em várias cidades da Itália e também em bares de Londres, acompanhada por músicos brasileiros atuantes na cena musical Londrina. Participou de festivais em Goiás, como Projeto Pixinguinha, Canto da Primavera, Canto de Ouro, dentre outros festivais. Cantou em três edições do carnaval de Diamantina, gravou o CD autoral A Cores, que está disponível nas plataformas digitais.

 

Entrevista / Míriam Veiga

 

Em que consiste o projeto Toca da Bossa?

O projeto Toca da Bossa é uma cena cultural da bossa nova em Goiás. Na Toca da Bossa, os apreciadores da bossa nova e da música que orbita o gênero — o samba-canção, a MPB, o jazz — se reúnem em um formato pensado para a intimidade característica da bossa: palco baixo, mesa próxima, luz quente, volume na medida, quantidade limitada de pessoas nas apresentações. Cada edição é conduzida pelo duo Primas, formado pelas cantoras Míriam Veiga e Márcia Jácomo. As artistas recebem músicos convidados de excelência. É a bossa como ela nasceu: intimista, ao vivo e a poucos centímetros do público. É importante destacar que a proposta é de um show de bossa em um local intimista, o que é diferente de um bar com música ao vivo. No projeto a bossa é a estrela principal que será apreciada na companhia de um bom vinho, drink ou cerveja, harmonizando com o cardápio do local. A proposta é que seja um ambiente para apreciadores da música.

 

Por que a escolha pela bossa nova?

Porque a bossa nova é, possivelmente, um dos estilos musicais mais sofisticados que o Brasil já exportou — e continua viva quando alguém se dispõe a cantá-la, com respeito e com frescor. Ela nasceu de um jeito novo de tocar e cantar, virou língua universal e ainda hoje influencia a música popular e o pop no mundo inteiro. Propor uma noite de bossa em 2026 é afirmar que esse repertório é contemporâneo, atual e sempre renovável. Além disso, Goiás produz vários estilos musicais, como sertanejo, rock, MPB e também tem influência da bossa em sua produção musical.

 

Qual a ligação das cantoras com a bossa nova?

A ligação é de ofício e de devoção. As duas cantoras construíram suas carreiras cantando o repertório brasileiro — e a bossa nova sempre foi a espinha dorsal dessa trajetória, pela exigência técnica que ela impõe: harmonia sofisticada, fraseado preciso e a arte de cantar em meia voz e ainda assim envolver uma sala inteira. A música é envolvente com letras inspiradoras e belas harmonias, que geram uma experiência leve e profunda para o público. Tom Jobim, César Camargo Mariano, Boca Livre, João Gilberto, Elis Regina, Toquinho e Vinícius de Moraes, além de outros cantores e compositores brasileiros, fazem parte da referência musical das Primas que sempre apreciaram este estilo musical.

 

A bossa nova é um estilo musical dos anos 1950 que sobrevive e tem muitos ouvintes. Qual a razão?

O estilo foi desenhado para perdurar no tempo. A bossa nova nasceu com dois elementos que não passam de moda: harmonia sofisticada — emprestada do jazz — e melodia que parece conversa. Isso faz com que cada geração a redescubra: em playlists, em trilhas de filme, em releituras de artistas novos, além de fazer parte da memória afetiva de várias gerações. E há um outro fator decisivo: a bossa é feita para ser ouvida ao vivo, e um ambiente intimista combina muito bem com a sensibilidade da bossa nova. E é exatamente aí que a Toca da Bossa entra, para manter vivo esse movimento musical tão relevante no cenário cultural brasileiro, perpertuando a bossa para as novas gerações.

 

Quem são as inspirações?

João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Nara Leão e Carlos Lyra — os pilares. E, na linha do protagonismo feminino que guia o duo, Elis Regina, Nara Leão, Miúcha, Joyce, Leila Pinheiro, Rosa Passos, mulheres que provaram que a sutileza da bossa cabe perfeitamente numa voz feminina à frente da cena.

 

No repertório vocês incluem alguma composição autoral? ​

Sim, e esse é um dos diferenciais do projeto. Além dos clássicos consagrados do gênero e das releituras da MPB, a Toca da Bossa abre espaço para composições autorais das Primas e de outros convidados que participarão do projeto, sejam músicos ou cantores, colocando música nova lado a lado com o cânone. É a forma que encontramos de honrar a tradição e, ao mesmo tempo, alimentá-la: a bossa nova nasceu como música de jovens compositores, continuar compondo nesse universo é a melhor forma de homenageá-la, apresentando estilos musicais universais produzidos em Goiás, e provavelmente pouco conhecidos.

 

As apresentações serão sempre no mesmo local?

Não, necessariamente. A Toca da Bossa poderá acontecer a cada temporada em um espaço pareceiro que seja acolhedor para o público, sempre nesse conceito intimisma que a bossa pede, com foco também no conforto do público em relação ao clima da cidade, acessibilidade e atendimento. Mas o espírito da Toca da Bossa é sempre o mesmo: espaço intimista, acústica boa e público sentado perto do palco. Assim, o projeto circula pela cena e leva a bossa a diferentes públicos e bairros.

 

Qual a periodicidade?

Mensal, sempre com data divulgada com antecedência nos canais do projeto. A periodicidade fixa é intencional: cria um ritual, um encontro agendado de quem ama o gênero, e permite que o público acompanhe a série como quem coleciona as edições de uma coleção.

 

O duo terá convidados especiais no palco?

Sim. Esse é o coração do conceito: a cada edição, novos convidados sobem ao palco — instrumentistas e cantores de destaque da cena de Goiás e convidados de outras praças —, formando, noite a noite, um combo sempre novo. Nenhuma edição é igual à outra. O mesmo clássico ganha cor, instrumentação e humor diferentes a cada encontro. O público volta não só para ouvir a bossa, mas para descobrir quem vem. A primeira apresentação do dia 16 de outubro apresenta o show das Primas, acompanhadas pelo talento dos músicos Luiz Alves (violão), Ney Quiñoreo (guitarra), Luiz Sardinha (contrabaixo), Jader Gomes (bateria).

 

A formação da banda será sempre a mesma?

Há uma base instrumental de referência — violão, contrabaixo, guitarra e percussão — que garante a identidade sonora e a segurança técnica do projeto. Mas, como os convidados mudam a cada edição, a formação se reinventa noite a noite: uma edição pode ser com um quinteto completo, outra com um trio mais cru e intimista. Essa plasticidade é proposital, mantém o público curioso e os músicos alertas, que é como a bossa nova gosta de ser tocada: no risco controlado do ao vivo.

 

Serviço

Show: Bossa Nova e Brasileirices com Primas (Projeto Toca da Bossa)

Cantoras: Duo Primas (Míriam Veiga e Márcia Jácomo)

Local: Cerrado Cervejaria (Av. T-3, nº 2.456, Setor Bueno)

Data: 16 de outubro, sexta-feira

Horário: 20h30

Reservas de mesas: Míriam Veiga (99933-7340)

Assessoria de imprensa: Ana Cláudia Rocha (99646-8070)

 

Este post foi escrito por: Britz Lopes

As opiniões emitidas nos textos dos colaboradores não refletem necessariamente, a opinião da revista eletrônica.

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