segunda-feira, 17 de junho de 2024

Como Otacílo virou pizza de Nutella

Otacílio de Oliveira e Melo teve um dia malogrado pelo sabor de uma pizza de Nutella. Primo distante de Patrocínio (MG) e amigo de longa data. Genial e de personalidade forte. Coisa que, nele, vai além do que é inspirado no livre arbítrio, mas, principalmente, pelos traços familiares, herança de sangue. O que, ao meu modo de ver, pode superar muitas escolhas comportamentais, quase sempre ditadas pela conveniência, que a integridade, a ele inerente, não permite. De poucos amigos, Otacílio sempre me dedica fraternal atenção e cordialidade quando volto à minha cidade, mesmo sem prévia combinação. O uberlandense é único homo sapiens brasileiro que valoriza a idiossincrasia neste País sem comprometimento com identidade.

Em Uberlândia vamos a tradicional bar e, entre chopes e petiscos, atualizamos a conversa. Tempos atrás fui lá às pressas para resolver pendências domésticas que não têm solução. Crente de que seria certo o chope com o dileto amigo, liguei informando-o não só da minha presença, como de já estar pegando um transporte para o conhecido ponto da resenha. Mas, não deu certo. Otacílio, apesar de ter atendido o telemóvel, tratou-me secamente. Percebi extremo descontentamento.

Pedi-lhe escusas por não ter avisado antes ou mesmo estar ligando. Despediu-se e desligou sem maiores detalhes. Passados uns dias retornou o telefonema. Ainda macambúzio explicou o acontecido: estava relacionando-se com uma antiga namorada, desta feita, pelos modernos meios de comunicação, somente por mensagens, até que, com muito custo, foi marcado o esperado reencontro. A expectativa foi grande, mas a frustração maior ainda. Combinaram de se encontrar em uma pizzaria, onde, por ocasião do primeiro namoro, haviam saboreado, dentre outras, deliciosas pizzas de calabresa, marguerita, aliche e parma.

Mas, dessa vez, mesmo a casa mantendo irretocável a qualidade das massas, não fora possível o pecado da gula. A moça, que segundo ele, mesmo com o passar dos anos, guardava extrema formosura, fez-se acompanhar de seus filhos, o que não seria problema algum, não fosse o sabor da pizza pedida. Nutella. Desacorçoado, acabou por confidenciar: “Fiz o que pude para deliciar de inigualável companhia feminina. Agora, a pizza de nutellaminou paixão arrebatadora.”

Marcelo Fernandes de Melo é Promotor de Justiça

 

Foto: Blog Nova Safra

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Este post foi escrito por: Marcelo Fernandes de Melo

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1 comentários em "Como Otacílo virou pizza de Nutella"

  • Anna Paula Anna Paula disse:

    Também não consigo entender certos gostos !! Acho que por ser mineira ( Uberlândia) sou também exigente 😁👏👏👏

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