segunda-feira, 17 de junho de 2024

Da paixão anoréxica à cumplicidade do amor

 

Na música Amor e Sexo, a cantora Rita Lee resumiu a definição de dois sentimentos extremamente complexos e diametralmente opostos: paixão e amor. A primeira faz sofrer, é fugaz e impulsiva; o segundo acalma, dá segurança e estabilidade. O segundo, pode-se assim dizer, é o amadurecimento – ou evolução – da primeira.

 

Mas quais são mesmo os sintomas da paixão e do amor? A paixão é a taquicardia quando se vê a pessoa e a falta de fôlego quando ela não está ao alcance dos olhos. É estado de plena felicidade que pode se transformar em extremo sofrimento com as possíveis desilusões. Mais: é viver e agir em função do outro, negando a sua própria individualidade. É desejo, calor, anorexia. E são comportamentos que não partem do coração, mas do cérebro, com alteração dos níveis neurais e hormonais.

 

Estudos já comprovaram que a paixão tem duração limitada: 18 meses, em média, e sua função seria estreitar os laços para possibilitar a reprodução – teoricamente, é claro. Até que seja cumprido esse período, não há como controlar a hiperatividade, a compulsão e o estresse que nos levam a agir de maneira completamente inconsequente.

 

Já o amor representa uma relação de proximidade, afeto e preservação. Por não se tratar de uma idealização do outro, aceita as particularidades e defeitos sem que isso diminua o afeto. É vida mais calma que aumenta a longevidade da relação. Mas também é interdependência. Por isso é comum que um indivíduo adoeça ou não sobreviva por muito tempo após a morte de seu companheiro ou companheira.

 

A psicóloga Letícia Guedes e o dentista Rogério Penna passaram pelos dois estágios.  Se conheceram numa boate e ele, de cara, se viu picado por essa danada paixão e sentiu uma conexão imediata com aquela bela jovem de olhar delicado, mas decidido. Rolou. Eles namoraram por um tempo, mas houve um vácuo no relacionamento. Veio o reencontro e daquela vez foi Letícia que experimentou todas aquelas reações de apaixonada.

 

Assim que ela o viu depois dessa lacuna de encontros, pensou “Vou me casar com ele”, lembra ela, que considera ter tido uma revelação divina. Não vamos duvidar. Eles têm hoje sete anos de casados, mais dois de noivado e quase dois de namoro. Dois filhos, vida bela e próspera.

 

 

Com Beth Bueno e o campeão mundial de MotoCross, Roberto Boettcher, a coisa foi bem mais complicada. Ela o conheceu numa festa, mas estava mesmo de olho no amigo dele. Nada rolou na ocasião. Ele era senhor de si, acabara de ganhar o campeonato Sulamericano, chovia mulher na horta dele. Beth namorou com o tal amigo e cada um foi seguir com suas vidas.

 

Foi quanto, tempos depois, eles se encontraram novamente numa boate, desacompanhados. A paixão bateu como uma loucura, mas no início do namoro ele foi correr na Europa e por lá ficou por oito longos anos. A sequência é uma sucessão de vai e volta, desencontros: ele ficou noivo de outra, ela quase morreu. Ela se casou com outro e mudou-se para São Paulo; ambos tiveram seus filhos.

 

A história virou conto de fadas há 18 anos, com ambos já divorciados. Descobriram paixonite aguda mútua que poucos casais experimentam depois de tanto tempo juntos. Se amam e são perdidamente apaixonados. Perfeitas almas gêmeas. Nunca se desentenderam; viajam sempre e vivem a vida com a intensidade que essa mistura de sentimentos proporciona. É só alegria na eterna lua de mel.

 

Avatar

Este post foi escrito por: Britz Lopes

As opiniões emitidas nos textos dos colaboradores não refletem necessariamente, a opinião da revista eletrônica.

Deixe uma resposta