segunda-feira, 17 de junho de 2024

De volta ao sempre amado Velho-Mundo

 

Marcio Fernandes

 

Como sempre, atravessar o Atlântico é uma viagem longa e extenuante. Depois, a sempre deliciosa chegada em Lisboa. Como não podia faltar, os diálogos sobre o óbvio prevalecem em qualquer conversa com alguns portugueses. Até para comprar um chip de celular rola certo desentendimento sobre coisas absolutamente incontroversas.
Após o desembarque fui almoçar em restaurante típico da Ilha da Madeira com o amigo Marco Dornelas, sempre um papo inteligente e aquele tratamento prá lá de cortês. Na volta vamos continuar o assunto em Campo de Ourique, o bairro mais original de Lisboa.

 

 

Desta vez a decisão foi pular estadia na cidade e pegar um ônibus para Ericeira, uma hora a Noroeste de Lisboa. Reserva Mundial do Surf, a antiga vila de pescadores é super descolada, tem atmosfera neohippie bacana e um mar aberto lindo de chorar. Sem falar do casario todo branco a contrastar o azul profundo do Oceano Atlântico do alto das falésias.

 

 

Por medidas socioeconômicas, estou em albergue, em quarto só meu. Seu Feliciano, o proprietário, é um velho lobo do mar de cultura diferenciada. Me recebeu com um livro à mão sobre as guerras de descolonização da África. Em Portugal é assim mesmo. Livro faz parte do cotidiano e quase todo mundo conversa naturalmente sobre assuntos de alta complexidade.

 

 

A noite cai fria em Ericeira. É primavera, mas os dedos e orelhas estão vermelhos da brisa que substitui o sol que foi dormir no Oeste do além-mar. Para compensar abri um vinho do Douro bebido em copo de vidro. Tem aqui um pessoal da Austrália, mas hoje estou de pouca prosa. Uma parte do meu coração ainda não se acostumou com o fuso horário. Não é saudade pois rolou arroz no almoço. Acho que é por causa do Madredeus que tenho escutado muito no Brasil. Por isso a música do dia é Oxalá. Amanhã só sei que vou acordar com muita fome e tomar melhor suco de laranja do mundo depois de Tel Aviv.

Marcio Fernandes é jornalista

Fotos Marcio Fernandes

 

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Este post foi escrito por: Marcio Fernandes

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