segunda-feira, 17 de junho de 2024

Memórias passadas a limpo – parte I

Britz Lopes — Todas as pessoas com quem posamos para uma fotografia fazem, de alguma forma, parte da nossa vida – de hoje, de ontem, ou estão adormecidas em algum lugar do tempo. Se a foto foi guardada, então, nela estão as imagens de uma história, um momento que por algum motivo mereceu ser eternizado. Memórias passadas a limpo é isso! O resgate daqueles segundos congelados que nos contam algo interessante: sabíamos muito bem onde estávamos e o que fazíamos lá – mas quando, precisamente, já é exigir muito; mas só o registro da época vale muito a pena. Essa série, que inicio hoje, são com fotografias no bom e tradicional papel, de revelação manual, às escuras; fotógrafos em suas câmaras respirando a magia da imagem que vai ganhando contrastes. Fotos que foram notícias, registros de eventos; depois viraram recordações guardadas em caixas de sapatos de marcas que não existem mais. Estavam condenadas ao esquecimento. Não mais estão.

 

 

Refeições Baratas – Foram muito boas as “horas Vargas” com o Pio. Maior poeta de Goiás de todos os tempos, Pio Vargas morreu aos 29 anos, em 1991. A fotografia de Leandro Cunha traz à memória a produção do livro Refeições Baratas, escrito meio a meio por Marcio Fernandes e pelo escritor de frases raras. Assim como Pio se foi, o jornalista, tempos depois, jogou os originais no lixo. Ficou a fotografia para trazer à lembrança o casaco cedido por um cara da melhor qualidade, Wadson Pinto. Pouca gente sabe, mas os últimos tempos do Pio foram passados no apartamento de Carlos Beihy, negociante imaginário de camelos que tinha laboratório de fotografia em casa. Foi uma farra de muita criatividade!

 

 

O quase enforcado – Encarregada pelo diretor do Jornal Opção, jornalista Herbert de Moraes Ribeiro, gênio da espécie, fui entrevistar o escritor Bernardo Elis para a página que assinava no semanário: “Personagem Opção”, em formato de entrevista pingue-pongue. Durante a conversa de uma tarde inteira, ele acabou confessando ser um suicida em potencial, depois de eu ter puxado pelos seus desgostos com a vida. Bernardo, inclusive, mostrou como seria o ato nunca consumado: uma forca armada em cima da cama. O título: “Confissões de um imortal suicida”. O material me rendeu o Prêmio Asban de Jornalismo.

 

 

Obra eterna – Um time considerado de elite do Diário da Manhã foi escalado por Batista Custódio, jornalista das grandes causas, para trabalhar no que chamávamos de Caderno da Ferrovia (a Norte Sul). Uma publicação volumosa com entrevistas e reportagens enaltecendo as necessidades de tal obra para o futuro de Goiás. Os trilhos da ferrovia transportaram, durante mais de 20 anos, um mega esquema de corrupção. Até hoje, 32 anos depois, ainda não foi concluída. Na foto, Grace Clímaco, Adevania Silveira, Batista Custódio e Ivone Silva, durante o lançamento do Caderno, em grandiosa festa no Castro´s Park Hotel.

 

 

Boa companhia – Coronel Efigênio de Almeida era rigoroso comandante da Polícia Militar de Goiás, mas, sem farda, um gozador de alto nível. Foi um amigo especial que gostava de compartilhar o que a vida tinha de melhor. Amava de contar histórias gloriosas da tropa sob o seu comando e ouvir música de boa qualidade, principalmente se fosse no estúdio do jornalista Wander Arantes.

 

 

Roriz, o generoso – Na década de 1990, lançamos – eu e Marcio Fernandes – a Revista Mosaico. O desafio, como ainda hoje, era conseguir patrocínio para manter a publicação. Havia pouco tempo, eu tinha sido a repórter encarregada de cobrir todos os passos de Joaquim Roriz, então interventor de Goiânia, em sua missão de devolver a dignidade da capital. Cumprida a missão, o hábil político foi eleito governador de Brasília e me convidou para uma festa no Palácio das Águas Claras, ocasião em que consegui generosa cota publicitária e mantive a revista.

 

 

Rei da Timbalada – Como fui apaixonada por Carlinhos Brown e sua batida timbal. Era eu colunista no jornal O Popular quando fui convidada para assessorar seu grande show em Goiânia, com uma programação de dois dias entre almoço, coletiva de imprensa, bastidores e a apresentação, propriamente dita. Passei dois dias ao lado do então ídolo – hoje tenho outros – até o apoteótico show no Clube Jaó, onde tinha vaga cativa no camarote vip. Aqui eu com Carlinhos e Rosenwal Ferreira na coletiva-almoço no restaurante Piquiras do Setor Oeste.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Este post foi escrito por: Britz Lopes

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