sexta-feira, 17 de maio de 2024

Muitas divagações e cajuzinho do cerrado no Caminho de Cora

 

 

Marcio Fernandes – Foram dois dias muito engraçados no planejamento definitivo do nosso Caminho de Cora Coralina na casa da Nancy Ortêncio, em Pirenópolis. Ficou decidido que andaríamos praticamente 35 quilômetros sob sol escaldante do cerrado em setembro, coisa de 40 graus, com um pouso no refúgio da Kalinca e lasanha no jantar. Da hora em que eu cheguei pra hora em que eu saí, Dona Nancy ficou pregada no pé de jabuticaba. A Marilda Jorge, naturalista experiente, disse que o excesso de jabuticaba mexe com o entendimento da pessoa.

 

Eu tomei um piau de vinho água de balde na casa do Beco do Sapo depois de ter comido pizza de bacon. Vi lobisomem na madrugada com indigestão. Acordei só depois da 11 horas cheio de coisas pra fazer e meio desacorçoado, mas logo tomei procedimento. A Marilda fez chá de boldo que alterou completamente tudo. Depois, fez outro chá e gerou um certo ciúme no tratamento que me foi dispensado. Coisa de amigas do coração.

 

Gente, a Flávia Morais é muito engraçada. E a Maria Tereza interfere na cognição da pessoa. Maria Lúcia, interfere, não há como negar. É científico. Ainda bem que a Maria Tereza não gosta de trekking de longo curso e não fará a pé os trechos 2 e 3 do Caminho de Cora. Vamos só nós cinco. A MT vai trabalhar no setor apoio do pessoal, sob supervisão minha e da Flávia. Mais da Flávia do que minha. Sou super a favor do matriarcado.

 

 

A Bete se superou na confusão ao fazer arroz com pequi muito desapropriado para goianos. Tem de cozinhar o pequi antes. É só ler o livro da estabanada Rita Lobo. Depois ela salvou a pátria amada com bolinho de arroz sensacional e deu uma prova do sanduíche de atum que só deu alegria pra galera da trilha pelos campos e serras dos Pireneus, bem no divisor de águas das Bacias do Prata e Amazônica. Dona Nancy, ainda vou conhecer este falado e nunca executado arroz branco com ovo frito porciminha no prato com possibilidade de sangrar a gema.

 

 

O Caminho de Cora começou na van do Edenelson, um camarada conversador e imprudente na estrada. Conseguimos a proeza de conciliar cinco agendas e iniciar às 9h26, meia-hora antes do planejado. A saída de uma certa Missão Vida foi tranquila. Você começa a caminhada de longo curso em um pasto degradado em uma saroba na cota de 1.100 metros de altitude. Em seguida se inicia a subida da face leste do Morro dos Pireneus até os 1.344 metros em oito quilômetros de distância. É uma trilha moderada, mas o sol de rachar, a baixa umidade do Planalto Central e o quantitativo fraco de água que eu levei piorou muito as coisas.

 

 

Antes de começar a parte mais acentuada do ganho positivo de altitude, nós demos uma refrescada expressiva no Córrego da Água Boa, por indicação do Francisco Simeão Ferreira, 67 anos, um legítimo capiau que cavalgava naquele cerrado ralo em busca de uma tropa perdida. Conhecido como Pai do Mato, o habitante originário do cerrado, cheio de conversa, disse pra Dona Nancy que uma mulher é mais difícil de domar do que um animal.

 

 

Nossa situação deu uma melhorada boa ao encontrar a base de campo do Parque dos Pireneus. Conseguimos água farturenta para reabastecer a mochila, enquanto a Flávia deu um banho de mangueira no pessoal. Aí veio a parte mais difícil até o Refúgio da Serra. Nós provavelmente perdemos uma indicação do Caminho de Cora e ficamos só na Estrada do Parque.

 

 

Não pode ser considerado roubada, mas foi meio monótono e sofrido andar sob o sol das 14 horas com quase nada de sombra. Se por um lado foi positivo andar menos quatro quilômetros, nós perdemos a Cachoeira do Sonrisal. A Flávia e a Nancy matam a gente de rir com muitas histórias reais que se tornaram baratos divertidíssimos, sem contar as atuais viagens espontâneas pelas divagações. Houve um esforço coletivo e tivemos a fortuna de conseguir coletar uns dois quilos de cajuzinho do cerrado. Amanhã terá na sessão frutos da terra, suco de caju.

 

 

Fotografias e texto Marcio Fernandes

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Este post foi escrito por: Marcio Fernandes

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3 comentários em "Muitas divagações e cajuzinho do cerrado no Caminho de Cora"

  • Avatar Noemy Faria disse:

    Muita coragem de vcs , com um sol de 40•C. Só de pensar eu passo mal. Kkkk Marcinho, experimente mesmo o arroz branquinho , soltinho, apenas com um ôvo mole. Eu adoro❤️. Parabéns a vcs🔥❤️

  • Avatar Maria Leda17063@gmail.com disse:

    Eu já não me atrevo pego insolação rapidinho. kkkkkkkkkk. Amo esses cajuzinhos. Valeu! adoro e aprecio o cerrado ✌️

  • Avatar Maria Leda17063@gmail.com disse:

    O maior alpinista q tive o prazer d conhecer parabéns Dr Márcio Fernandes !! Cerrado é tudo de bom cajuzinho então nem se fala viu!

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