sexta-feira, 17 de maio de 2024

“Nunca levei a profissão muito a sério”

 

Osmar Mendes Júnior nasceu em São Paulo, capital. É bacharel em Comunicação Social (Propaganda e Publicidade) pela Faculdade Anhembi e em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero.  Acumulou vasta experiência profissional pelos maiores grupos de comunicação do Brasil. Na Editora Abril, esteve nas redações de 4 Rodas-Moto e Playboy. Na Editora Três, passou pelas revistas Homem, Privê, Status, Penthouse, Mais Vida e Note e Anote. Na Rede Globo, fez o Revistão do Faustão. Na Band, os programas Oito e Meia e Jornal da Noite. Na Record, Fala Brasil e Cidade Alerta. No SBT, o Jornal do SBT teve sua assinatura. Como convidado, participou dos programas Hebe, Canal Livre, Flávio Cavalcante, Note & Anote. E ainda teve fôlego para assinar colunas no Shopping News e Diário Popular. Na entrevista concedida a mim e ao Marco Antônio Chuahy, seu colega de Anhembi, ele deixa claro o quanto é exigente consigo mesmo: um profissional, segundo ele, nota 7,5. Achamos que ele merece mais. Low profile assumido, caiu fora da televisão quando começou a ser convidado para ser jurado de programas de auditório: “Nunca quis fama”.

 

BBnewsEntrevista – Como editor, qual estratégia que usou para lançar uma revista com o mesmo título de uma outra que já circulava no mercado, a Homem…

 

Osmar – O nosso orçamento era pequeno, não teríamos como competir com a Playboy, já que a Editora Três já publicava a Status, que era a concorrente direta dela. Então, através da ideia editorial, que era um braço da Três, criamos uma publicação mais popular, para atingir um público mais jovem. Apostamos no humor e na malícia do brasileiro.

 

BBnewsEntrevista – Quais os diferenciais que o novo produto oferecia em relação ao que já existia?

 

Osmar – Resolvemos usar cantoras populares e artistas do cinema de pornochanchada.

 

BBnewsEntrevista – Vocês tinham colaboradores de peso como a concorrência?

 

 

Osmar – Não. Nunca tivemos colaboradores de peso. Nunca tivemos anúncios. As pessoas torciam o nariz para nós. Achavam que tínhamos baixo nível. Mas, éramos campeões de vendas.

 

BBnewsEntrevista – Qual foi a maior e menor tiragem da Homem e quais motivos?

 

Osmar – Cento e vinte mil exemplares. Quando colocamos uma bunda feminina na capa com a chamada “Preferência Nacional”. A edição esgotou em poucas horas

 

BBnewsEntrevista – Quanto tempo durou a revista?

 

Osmar – Dois anos e meio. Fui convidado pela Abril para ir para 4Rodas e de lá para a Playboy. Só depois de aceitar o convite e ir trabalhar lá percebi que caí em uma armadilha. Eles me deixaram na geladeira. Então, o dono da Três me chamou para dirigir a Status.

 

BBnewsEntrevista – Em quantos projetos editoriais de revistas masculinas você esteve envolvido? Qual a cronologia?

 

 

Osmar – Homem, Privê, Playboy, Status e Penthouse. Depois, fui para o jornalismo na TV. Nunca quis fama. Quando comecei a ser chamado para ser jurado e participar de programas de TV, caí fora.

 

BBnewsEntrevista – Como foi a disputa pelo mercado? Houve quem deixasse de comprar uma para levar outra ou os consumidores desse tipo de publicação optavam pelas duas?

 

Osmar – Nós sempre tivemos um público bom, porque, naquele tempo, a censura era rigorosa e nós sempre dávamos um jeito de furá-la. Exemplo: quando ninguém podia publicar nu frontal, eu inventei o “Levanta-cabeça”. Era uma foto de mulher nua, toda recortada em quadradinhos, como um quebra-cabeça, para o leitor montar na casa dele. Foi um sucesso.

 

BBnewsEntrevista – Como foi a convivência com a censura? Havia censor na redação? Alguma edição vetada?

 

Osmar – A censura ficava em cima. Fui parar na PF de Brasília por algumas vezes. Mas, quando me viam, davam risada, me dispensavam. Achavam que era molecagem pura. Não tinha mensagem política nenhuma. Só diversão.

 

BBnewsEntrevista – A Internet interrompeu o boom das revistas masculinas, já que mulher nua é figura fácil na rede?

 

Osmar – Sim. O mundo é outro depois da Internet. Veículos impressos perderam a importância. Vão desaparecer com o tempo.

 

BBnewsEntrevista – Como eram negociados os cachês das mulheres que posavam nas revistas? Quem as avaliava?

 

Osmar – Tínhamos um borderô. Cachês baixos, mas aceito por muitas chacretes. Publicamos Gretchen, Rita Cadillac e muitas outras.

 

BBnewsEntrevista – O que era considerado quando da escolha de quem figurava na capa?

 

Osmar – Dependia da fama. Mas, sempre cachês baixos.

 

BBnewsEntrevista – Qual o cachê mais caro da Homem? De quem?

 

Osmar – Acho que foi a Rita Cadillac, a chacrete.

 

BBnewsEntrevista – E houve alguma decepção em se falando de retorno?

 

Osmar – Sim. A edição com as Mulatas do Sargentelli. Vendeu pouco.

 

BBnewsEntrevista – Por que você deixou a Editora Três?

 

Osmar – Fui convidado pela Abril.

 

BBnewsEntrevista – Que rumo você tomou quando o papel começou a virar supérfluo?

 

 

Osmar – Fui para o jornalismo na TV.

 

BBnewsEntrevista – O seu Mendes Júnior tem a ver com a construtora?

 

Osmar – Não. Muita gente acha.

 

BBnewsEntrevista – Como profissional, que nota você lhe atribui? Por quê?

 

Osmar – Meu pai lia jornais e sempre, na volta para casa, trazia um exemplar de jornal. Comecei a me interessar por jornalismo desde antes de ser alfabetizado. Nas minhas brincadeiras, na infância, eu era dono jornais, revistas, emissoras de rádio e de TV. Entrar para o mercado para mim foi muito fácil. Sempre me diverti nos empregos e nunca levei a profissão muito a sério. Não sou carreirista. Só queria ter um dinheiro para pagar as minhas despesas. Quando consegui comprar um apartamento, comecei a economizar dinheiro pensando em ter tranquilidade no futuro. Fiz alguns investimentos e me dei bem. Não fiquei rico, mas vivo bem. Nota 7,5 para mim, já que nunca me esforcei muito para alçar maiores voos. Sou meio preguiçoso.

 

BBnewsEntrevista – Como um viajante contumaz, você trocaria o Brasil por que país?

 

Osmar – Conheço cinco continentes e muitos países. Nunca pensei em morar fora de São Paulo. Minha base, minha raiz, minha gente. Sou feliz aqui.

 

BBnewsEntrevista – Qual a sua relação com a internet?

 

Osmar – Tenho perfis no Facebook, Twitter, Instagram, TikTok e YouTube. Gosto. Internet tornou o meu mundo melhor.

 

BBnewsEntrevista – Qual foi o maior momento de sua carreira?

 

Osmar – Não tive.

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Este post foi escrito por: Britz Lopes

As opiniões emitidas nos textos dos colaboradores não refletem necessariamente, a opinião da revista eletrônica.

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