quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O Brasil que emergirá das urnas não pode manter imerso seu futuro 

    

Demóstenes Torres — Se em política cada dia é uma eternidade, nas campanhas é cada minuto. As eternidades que faltam para o 2º turno não podem manter o Brasil no moto-contínuo de o sonho da maioria se restringir ao básico. Votar pelo medo, espalhado em fake news, de perder o reajuste do Bolsa Família, as drogas da Farmácia Popular, o gás, a casa em suaves prestações impagáveis, a graninha que embolsa por ir à aula, o Desenrola que enrola. 

 

Isso se deve à Constituição que, 38 anos depois, permanece tão inacessível que a cidadania que a apelida se resume a legitimar o populismo. Por isso, ainda se teme ficar sem o que não se tem, mesmo que sejam direitos sociais elementares como a um teto, a estudar, tratar-se, sapecar fogo no fundo da panela. Incrível Lula insistir em permutar o Palácio do Planalto por encher o estômago dos eleitores se com ele viraram fumaça 5 mandatos presidenciais solidificando que o futuro ao alcance do brasileiro é a próxima refeição. O mundo fazendo carro voador e nós aqui sob o plano de governo da marmita. 

 

Em 2025, o IBGE revelou que “Norte (37,7%) e Nordeste (34,8%) apresentaram as maiores proporções de insegurança alimentar nos três níveis (leve, moderada e grave)”. Insegurança alimentar é fome em lulês. Nas 5 regiões, em “lares com até um salário mínimo per capita”, 71,9% das pessoas “estão entre grau moderado ou grave de insegurança alimentar”. Tanto tempo com tantos programas e tanta gente ainda passando fome e Lula querendo outro tanto de tempo. 

 

O beneficiário está certo em querer a garantia de que serão mantidos, afinal não dá valor a um prato de comida apenas aquele que o tem à farta. A fome só não é pior conselheira que a perspectiva de ela continuar ou voltar ou passar a senti-la sem arroz e feijão à vista, talvez um bife a prazo, nem carece ser de picanha, todavia já são tantas as dívidas que o açougue virou a página do caderno de fiado; e o resumo de Lula 3 vem daí: carne, não; carnê, sim. Por isso, o PT aterroriza os integrantes do CadÚnico do mesmo jeito que o presidente ameaça os Estados que elegeram governadores alheios a seu mando: diz que vai tirar deles as verbas oficiais, como se fossem recursos de seu partido, não públicos. 

 

Nada existe de mais terceiro-mundista que o discurso de “governar para os que mais precisam”. Quando Lula chegou ao poder, em 2003, a economia se estabilizara havia quase uma década. O cenário internacional era inteiramente favorável. Apenas 6,3 milhões de consumidores estavam inadimplentes, multiplicados para 81,7 milhões neste 2026, herança maldita de Lula 1, 2 e 3 e Dilma Rousseff 1 e 1/2. O crédito consignado pendura o servidor público pelo pescoço. Aposentados, pensionistas e o pessoal do Benefício de Prestação Continuada, o BPC, vivem de migalhas que sobram dos empréstimos. Isso é “governar para os que mais precisam”? 

 

Se essa lorota rendeu 5 temporadas na Presidência da República aos que compram votos pagando por mês, compensa para eles manter quem mais precisa precisando cada vez mais. Caso não precisem mais, estará rompido o vínculo entre a barriga e a seção eleitoral. Lula pede outros 4 anos para fazer depois de ganhar 20 sem ter feito e, caso vença, depende da dependência, porque se as pessoas estiverem prósperas não haverá como enganá-las com gás, pé de meia, bolsa isso, remédio aquilo. 

 

Tudo de que o Brasil prescinde é de iniciar mais uma geração dependente de governo até para suas necessidades mínimas. Tudo de que o Brasil precisa é aproveitar suas riquezas, inclusive a maior delas, maior que os minerais e o solo fértil, que é a vocação para empreender. O que o governo faz com ela? Aprisiona-a num cadastro. Empreender não é apenas sair de camelô para Silvio Santos, de lavrador para Amador Aguiar, de balconista para Barão de Mauá. É também sair do CadÚnico. 

 

Quando o país se libertou da inflação, já nos estertores do século 20, não supúnhamos que o bug do milênio ocorreria em 2002, com a vitória de Lula. Quando se imaginava que o atraso era página virada, o PT a preencheu com letras mortas de espertalhões muito vivos, que até hoje fazem do cartão de sacar os benefícios o código-fonte das urnas. O próximo domingo tem de ser o do “basta!”, basta de demagogia; é o do “chega!”, chega de fazer do sofrimento alheio moeda de troca por mandatos. 

 

A síntese do enredo desse modelo no poder vai do assalto à esperança, que o brasileiro nutre mais que às próprias tripas. Mas chega, né? 

 

Chega de a produtividade crescer 3.000% a menos que a da China. 

 

Chega de brigar com os Estados Unidos, um parceiraço de sempre. 

 

Chega de ficar atrás de 80 países no PIB per capita sendo o maior e melhor em água, clima, terra agricultável, terra tão rara que esbanja terras raras. 

 

Chega de ser ultrapassado por quem pouco antes estava muito atrás, como a própria China, Coreia do Sul, Singapura e até a Índia. 

 

Assim, o Brasil não chega a lugar algum além do fundo do poço – e não é o de petróleo, pois o Ibama trava. O futuro não pode ser com olhar de admiração na tecnologia dos outros, enquanto por aqui quando alguém diz “robô” quem ouve pensa que é o verbo. 

 

Este post foi escrito por: Demóstenes Torres

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