segunda-feira, 17 de junho de 2024

O efeito do raio gourmetizador na farofa de ovo

 

Caçarolices  —  Já tem um tempo em que a grife, muitas vezes, vale mais do que a qualidade de um produto. A propaganda bem-feita tem um retorno impressionante. No caso da gastronomia, existe uma espécie de ir e vir no tempo para caracterizar a comida: de mãe, de vó, confort food, comida de roça… todos estes “conceitos” agora podem sofrer o efeito do raio gourmetizador. Ele atinge a comida feita com emoção e a transforma, deixando-a com um pedrigree diferente, mas com sabor especial. Deixa de ser comida de mãe, de vó ou de roça, creio eu, até porque perde a simplicidade. Mas tem muito sabor!

 

O exemplo de hoje é o da farofa de ovo atingida pelo raio gourmetizdor. E atingiu sem dó uma das comidinhas mais de vó que existem e criou um prato diferente, muito saboroso, mas que não é a mesma coisa de como era quando inventado por alguém, nos primórdios da culinária,passado adiante por gerações e feito em casa corriqueiramente. O texto contém ironia.

 

Farofa de ovo gourmetizada

Aqueça quatro colheres de azeite extra-virgem vintage grego, misturadas a duas colheres de azeite trufado francês conservado em madeira da Floresta Negra. Desmaie duas colheres de cebola roxa persa – pode ser substituída pela iraniana, em caso de sazonalidade – picada a brunois, mergulhada anteriormente em água com gás natural das minas dos alpes suíços, com açúcar de beterraba holandesa (para perder a acidez) no azeite aquecido. Espera-se que, neste momento, os ovos de galinhas lésbicas, criadas pelas freiras também lésbicas das colinas da Península de Yerevan, na Armênia, já estejam vigorosamente batidos com: quatro colheres de creme de leite fresco feito com leite de búfala proveniente de Botsuana, uma pitada de sal rosa de guérande e duas pitadas generosas de sal negro da Cordilheira do Himalaia, amêndoas libanesas laminadas em aço polido a laser e levemente torradas em forno de barro feito com a lava da última erupção do Vesúvio e lenha de carvalho francês, flocos de alho negro da Prússia, um pistilo crocussativus (também conhecido com açafrão espanhol medieval) e 17 ‘folículas’ de tomilho fresco cultivado na Costa Amalfitana, entre 11,6 e 17,8 metros de altitude. Despeje a mistura à cebola já desmaiada e leve ao fogo com temperatura constante de 74°C. Mexa sem parar, porém suavemente, usando um fouet de 16 arames de aço inoxidável, até que estejam cremosos, porém aerados. Um sopro de noz-moscada irlandesa e, por último, farinha de Guapó (para dar rusticidade ao prato).

 

Farofa de ovo convencional

Aqueça a manteiga, quebre os ovos, acrescente sal, mexa e coloque farinha.

 

Pecados da cozinha

Existem forma e formas de cozinhas, de preparar bem um prato ou um lanche qualquer. É claro que gosto é como nariz e cada um tem o seu! Mas existem alguns princípios que são levados em consideração quando o assunto é caçarola. Há sabores que se misturados acabam por alterar todo o prato.

 

  1. Esquentar assados no micro-ondas: o micro-ondas já saiu da cena culinária faz tempo. É mais usado para descongelar alimentos ou esquentar comidas já prontas, com exceção dos assados, que devem passar longe do eletrodoméstico. No micro-ondas, as massas ficam borrachudas e perdem a sua crocância.
  2. Misturar queijo e peixe: os dois sabores brigam entre si. Além do mais, peixes frescos têm sabor sutil, diferente do queijo que pode tomar todo o gosto do prato para si.
  3. Macarrão com farinha: é aquela velha história de comer o que se quer e o que se gosta. Mas farinha de mandioca e macarrão não deveriam estar no mesmo prato, na mesma refeição. São dois carboidratos, mas um precisa de molho e o outro resseca o molho.
  4. Açúcar no suco de laranja: o suco de laranja já é uma bebida com alto índice glicêmico. A laranja sem o bagaço pode, inclusive, ser prejudicial para pessoas com restrição de açúcar na alimentação. Suco de laranja é sem açúcar. Seu pâncreas agradece.
  5. Colocar o arroz por cima do feijão: esse pecado é apenas uma treta. Cada um que coloque o feijão como quiser no prato. Eu prefiro por cima do arroz. E você?

 

 

Para aquecer a alma

Um caldinho quente em dias frios sempre faz bem. Aquece o estômago e deixa a gente bem mais aconchegado. Além do mais, traz sabor e saúde com os ingredientes certos. Nos dias frios, depois que o sol se põe, a gente sempre faz um caldinho cremoso. Desta vez, foi um caldo cremoso de abóbora cabotiá, com cebola, alho, ervas e queijo. Tudo servido com torradinhas amanteigadas.

Para duas pessoas:

1 prato de cabotiá picada com casca

1 cebola de cabeça picada em pedaços grandes

3 dentes de alho

1 colher de sobremesa de gengibre ralado

Queijo gorgonzola e requeijão cremoso.

Azeite, sal, pimenta do reino e salsinha picada a gosto!

Faz assim:

Refogue o alho e a cebola com um fio de azeite. Acrescente os pedaços de abóbora e deixe-os dourar bem. Acrescente o gengibre e 3 copos (americano) de água. Deixe cozinhar até que a abóbora fique macia. Bata no liquidificador e devolva para a panela. Acerte o sal e a pimenta, use mais um fio de azeite e sirva:

Num recipiente, coloque uma colher de requeijão cremoso, o caldo-creme de abóbora por cima, o gorgonzola esmigalhado e salsinha fresca picada a gosto.

As torradas:

Fiz com pão de forma cortado em quatro. Passei manteiga de leite e levei ao forno até dourar.

 

Frase

“A melhor maneira de controlar as calorias é a distância” – Henny Youngman, violinista e comediante (Eu mesmo já perdi o controle.)

 

 

Flor de manjericão

Para que o manjericão tenha uma vida útil maior é preciso alguns cuidados, como rega diária e luz do sol pela manhã, de preferência. O que pouca gente sabe é que é necessário sempre cortar os pendões de flores do manjericão. Isso mantém a planta jovem e saudável por mais tempo e preserva o sabor das folhas. Pelo fato de as flores funcionarem como um dreno nas plantas, elas acabam consumindo muita energia e, portanto, precisam ser retiradas.

Dica: use todas as flores retiradas para aromatizar um bom azeite. Coloque ainda alguns grãos de pimenta rosa. Use o azeite para finalizar pratos.

 

Marinada

Bronze – Uma cerveja preta por cima do frango que foi temperado com alho, cebola e pimenta e vai passar 60 minutos no forno.

PF – Quatro colheres de arroz branco, duas colheres de feijão de caldo, um ovo frito com a gema mole e farinha. Desculpe!

Azedinho – Leite condensado e suco de limão siciliano, na mesma medida, uma colher de manteiga e fogo. De alicerce a cobertura, passando pelo recheio, isso resolve.

Ideia perigosa – Agora, pegue isso aí de cima, que serve para quase tudo na vida, e recheie uma ameixa-seca, já hidratada num licorzinho…

 

Bom apetite e até a próxima.

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Este post foi escrito por: Rimene Amaral

As opiniões emitidas nos textos dos colaboradores não refletem necessariamente, a opinião da revista eletrônica.

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