segunda-feira, 29 de junho de 2026

Os mistérios da famosa Torre de Pisa, na Itália

 

A Torre de Pisa, um dos monumentos mais fascinantes do mundo, que mistura arquitetura impressionante com um “erro” de engenharia que a tornou icônica. Começou a ser construída em 1173, sua obra foi interrompida várias vezes. A primeira grande pausa ocorreu após a construção do terceiro andar, quando a torre começou a inclinar. Mas, foi finalmente concluída por volta de 1372, com a instalação do campanário (o andar dos sinos).

 

A torre não foi projetada para ser uma estrutura isolada. Ela é, na verdade, o campanário do complexo da Catedral de Pisa (na Piazza dei Miracoli). O objetivo era demonstrar o imenso poder, riqueza e orgulho militar da República de Pisa na época, que era uma grande potência marítima comercial.

 

O motivo da inclinação resume-se a uma escolha ruim de engenharia e geologia. Solo inadequado: a palavra “Pisa” vem do grego e significa “terra pantanosa”. O solo da região é composto majoritariamente por argila, areia fina e conchas, sendo extremamente macio e instável.

 

Fundações rasas: os arquitetos projetaram uma fundação de apenas 3 metros de profundidade para uma estrutura pesada de mármore que pesa mais de 14.500 toneladas.

 

O “salvamento” acidental: quando os construtores retomaram a obra após a primeira pausa (que durou quase um século por causa de guerras), o solo subjacente havia se compactado um pouco. Se tivessem construído tudo de uma vez, ela teria desabado verticalmente. Para compensar a inclinação já existente, os engenheiros da época construíram os andares superiores mais altos de um lado do que do outro, o que a torna ligeiramente curvada (como uma banana).

 

Durante séculos, várias tentativas de consertá-la falharam e até pioraram a situação. No entanto, uma grande obra de engenharia civil nos anos 1990 (liderada pelo engenheiro Michele Jamiolkowski) salvou a torre: os engenheiros perfuraram e removeram cuidadosamente toneladas de terra do lado norte (o lado oposto à inclinação). Isso fez com que o monumento cedesse ligeiramente em direção ao norte, reduzindo a inclinação em cerca de 40 centímetros e trazendo-a de volta a uma posição segura.

 

Durante as obras, toneladas de chumbo foram usadas temporariamente na base norte para fazer o contra-peso. Cabos e anéis de aço foram colocados temporariamente ao redor do segundo andar para evitar que a estrutura de mármore rachasse sob a pressão. Hoje, a torre é equipada com sensores de alta precisão (sensores de prumo, satélites e computadores) que medem milimetricamente qualquer movimento no solo, flutuações no lençol freático e o comportamento estrutural do mármore.

 

Ela corre o risco de cair? Não no futuro previsível. Graças aos trabalhos de engenharia concluídos em 2001, a torre foi declarada totalmente estável. Os especialistas afirmam que a estrutura está segura pelos próximos 200 a 300 anos, desde que o solo ao redor não sofra nenhum impacto catastrófico imprevisto (como um terremoto de magnitudes extremas). Curiosamente, um estudo recente descobriu que o mesmo solo macio que causou a inclinação a protege contra terremotos moderados, pois a rigidez da torre combinada com a elasticidade do solo faz com que ela não ressoe com os tremores da terra.

 

Este post foi escrito por: Britz Lopes

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