quinta-feira, 25 de abril de 2024

Power Balance: a pulseira que nunca foi mágica

 

Talvez você se lembre da tal Power Balance, lançada há 15 anos! Trata-se daquela pulseira de silicone que deu o que falar. A promessa era forte: a marca, criada em 2007, alegava que seu produto possuía uma tecnologia capaz de melhorar o equilíbrio, a força e a flexibilidade de quem a usasse.

 

Diversos vídeos de pessoas testando a pulseira pela internet, atestando sua eficácia. A empresa investiu milhões e milhões de dólares para criar uma marca forte, através do patrocínio de vários atletas extremamente renomados, entre eles os futebolistas David Beckham e Cristiano Ronaldo, o piloto Rubens Barrichello e o jogador de basquete Shaquille O’Neil.

 

A empresa gastou uma grana com marketing. Entretanto, não havia qualquer trabalho científico publicado que comprovasse a promessa milagrosa. Até que veio o balde de água fria. Após muitas pulseiras vendidas e algumas dezenas de milhões de dólares faturados, por volta de 2009, começou o fim.

 

Surgiram diversos testes e estudos independentes sugerindo que as famosas pulseiras holográficas não tinham efeito algum. Até houve usuários que relatavam uma melhora em sua performance atlética, mas não passava de efeito placebo — esse sim, um fenômeno real, comprovado por estudos médicos.

 

Em 2010, a filial australiana da Power Balance foi obrigada a desmentir publicamente os supostos efeitos de seus produtos e a garantir o reembolso ao consumidores que se considerassem enganados pela publicidade. Outros países como Itália, Espanha e Holanda também multaram a marca. No Brasil, a Anvisa suspendeu a publicidade dos efeitos terapêuticos da pulseira, embora não tenha exigido reembolso.

 

Só pra você ter uma ideia, de 2009 a janeiro de 2011, foram vendidas 200 mil unidades do produto no nosso país. Durante a trajetória da empresa, estima-se que foram 2,5 milhões de pulseiras vendidas. Haja silicone!

 

Não tinha como acabar diferente. Após ser condenada em uma ação coletiva de diversos consumidores a pagar quase US$ 60 milhões, a empresa foi obrigada a admitir globalmente que não havia evidências científicas apoiando suas alegações e ofereceu reembolso aos clientes.

 

Foi o suficiente para a Power Balance — que tinha ativos entre US$ 1 milhão e US$ 10 milhões — decretar sua falência.

 

Curiosidade: A empresa foi criada pelos irmãos Troy e Josh Rodarmel, que, mesmo depois dessa história, seguiram empreendendo, embora nenhum outro negócio criado por eles tenha ficado tão famoso quanto a icônica Power Balance.

 

Com: The News

Este post foi escrito por: Britz Lopes

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