sábado, 18 de maio de 2024

Princípios da agricultura metafísica

 

Ricardo Pedreira – Aos fazendeiros do ar, pedimos a gentileza de armar seus ranchos nas nuvens.

 

Abelhas, borboletas e beija-flores entram a qualquer hora na horta, canteiro, pomar e demais plantações, estando dispensados da certidão passada em cartório do céu.

 

Pera, uva ou maçã podem. Salada mista também. Suruba, depende.

 

Galochas, gnomos e galinhas garnizé são bem-vindos. Não jogue pedra na Geni.

 

Cuidado com os escorpiões e outros signos peçonhentos. Use luvas ao abrir o mapa astral.

 

Ora-pro-nóbis e pros-outros.

 

A torneira da irrigação está localizada à direita de Deus Pai todo poderoso.

 

Quando pisar em folhas secas, pense na Mangueira.

 

Na compostagem deve ser usado unicamente material orgânico, como vergonha na cara.

 

Fique atento aos movimentos sísmicos e peristálticos.

 

Ao plantar bananeiras, lembre-se de ficar com a cabeça para cima.

 

Casamento de viúva floresce na época de sol e chuva.

 

O pequi é fruto proibido para quem insiste em roer suas mágoas.

 

Pá, ancinho, enxada e picareta são ferramentas que ajudam a revolver a terra inconsciente. Minhocas na cabeça também.

 

As rosas falam. Abra-se com elas.

 

No mais, é o que se sabe desde Caminha: em se plantando tudo dá. Onde canta o sabiá.

 

 

Texto escrito por Ricardo Pedreira: 68 anos, jornalista. Nasceu no Rio de Janeiro e mora em Brasília. Trabalhou no Jornal do Brasil, revista Veja e TV Globo.

 

Foto de Kendall Hoopes

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Este post foi escrito por: Britz Lopes

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