sábado, 18 de maio de 2024

Publicidade: o que nunca te contaram

 

Briefing News  —  O tema publicidade é muito vasto e, assim como cada brasileiro entende de futebol e consegue escalar a sua seleção nacional, também conhece a publicidade como ninguém. Melhor do que nós, profissionais da publicidade.

 

Uma vez, conheci uma pessoa numa festa e assim que soube que eu era publicitário, já contou que sua mulher abriria uma escola de inglês, e pediu uma visita para que eu preparasse a campanha de lançamento. E foi definindo o que queria: um jingle para rádio, um anúncio de jornal não muito grande e um outdoor. Eu agradeci a preferência e respondi que ele não precisava de um publicitário ou de uma agência, já que a receita estava dada. Bastava chamar um assistente de arte para materializar suas ideias.

 

Cada publicitário que eu conheci tem algumas dessas histórias para contar. Os “técnicos publicitários” desconhecem como se faz a mágica. E misturam toneladas de informações que confundem mais do que esclarecem.

 

Por exemplo, você sabia que o outdoor ideal deve ter até sete palavras? Como? Por que? Porque um outdoor, que mede 9 X 3 metros, foi pensado para causar o maior impacto no menor tempo possível. Ele fica lá, num ponto de grande visibilidade, para impactar um motorista que está concentrado no trânsito, e o seu tempo de visualização nunca é maior do que 2 segundos.

 

Preste atenção e repare na quantidade de outdoors (um meio de comunicação que nos Estados Unidos se chama billboard) carregados de texto. Uma vez, cheguei a ver um outdoor de um cursinho preparatório ao vestibular, com a lista completa dos seus mais de 70 alunos aprovados. Eu penso: será que esse cliente quer que o motorista estacione seu carro e dedique 10 minutos para ler nome por nome? Isso nunca vai acontecer e, portanto, o anunciante só se beneficiou da enorme lista, que poderia ser substituída por um título contando o total de aprovados.

 

Também é normal o anunciante colocar na assinatura, além da sua logomarca, o site, o e-mail, o telefone fixo e o WhatsApp. Francamente, alguém já parou para anotar algum telefone impresso num outdoor?

 

Temos também comerciais de TV onde o anunciante não conta onde ficam suas lojas, imaginando que o público já conhece onde ficam os pontos de venda.

 

Estamos num ponto de degradação do padrão criativo. Com receita insuficiente para manter uma equipe criativa, que resolva problemas, as agências de publicidade só podem contratar egressos das faculdades sem a lapidação que uma boa convivência profissional pode permitir.

 

Cada vez mais, estamos vendo mais do mesmo. Comerciais sem brilho, ideias ocas, gente focada mais no imediatismo do digital, repetindo os mesmos motes que sempre existiram. Sinceramente, qual foi a última campanha que chamou sua atenção de verdade? Qual foi o último comercial que provocou em você o desejo de comprar um produto? Registre sua resposta aqui no nosso blog.

 

Foto: Steven London

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Este post foi escrito por: Marco Antônio Chuahy

As opiniões emitidas nos textos dos colaboradores não refletem necessariamente, a opinião da revista eletrônica.

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