sábado, 18 de maio de 2024

Regensburg, Cidade Imperial do Rio Danúbio

 

Muito apreciada pelos alemães, mas fora da proa do turismo internacional, Regensburg é preciosidade que precisa ser considerada em viagem a Alemanha, especialmente se você estiver na Baviera. A 1h30 de trem desde Munique, o belíssimo e expressivo centro medieval da cidade vale bem aproveitados dois dias de exploração. Além do mais, ela é a primeira das Cidades Imperiais banhadas pela majestade do Rio Danúbio. Nos caros dias ensolarados de verão, as pessoas ocupam as cercanias da Ponte de Pedra de 16 arcos, obra espetacular da engenharia medieval originalmente construída com 336 metros de extensão.

 

 

É impressionante o colorido do opulente casario senhorial em convivência com o esplendor da Catedral de São Pedro, referência arquitetônica da cidade e uma das mais importantes igrejas góticas da Baviera, o que não é pouco. Regensburg guarda no ambiente medieval o relato da histórica prosperidade da Alemanha. Riqueza extraordinária criada em consequência da atividade econômica eficiente e da evolução dos direitos civis que vêm se realizando, apesar de tantas guerras, há quase 19 séculos. Faz a gente chorar quando lembra do avião de volta ao terceiro-mundo com favela, assalto, esgoto a céu aberto e muita gente faminta nas ruas.

 

 

O nome Regensburg vem de Ratasbona. Era assim que os celtas chamavam o assentamento que estabeleceram às margens do Rio Danúbio. Em 179 d.C, se tornou Castra Regina, fortaleza e acampamento legendário até os romanos saírem corridos da Germânia tendo as tribos proprietárias da terra no encalço. A Porta Pretória e parte da muralha estão preservadas. O Museu Histórico de Regensburg tem uma extraordinária coleção de objetos da ocupação romana, fruto de trabalho cuidadoso de arqueologia. Quando você visita a Abadia de Santo Emmeram se depara com o primor do barroco alemão e vê alterada positivamente a sua percepção do estilo arquitetônico.

 

 

A cidade tem parques qualificados, ampla área de circulação exclusiva de pedestres, centro histórico preservado, pois sofreu poucos danos na Segunda Guerra Mundial, e área de compras funcional. O equipamento urbano conta com rede completa de serviços público e privado. Há muitas possibilidades de entretenimento, em particular para os apreciadores de cerveja boa. Se houver sol, faça como os bávaros e passe um tempo em um dos biergärtens da cidade. Ou então, vá percorrer as margens do Danúbio e pensar que aquelas águas que acabaram de passar por ti vão chegar a Viena, Bratislava, Budapeste e Belgrado até desaguar no Mar Negro.

 

 

O verão em Regensburg é celebrado com muita devoção. Os locais vão às ruas em grande quantidade atrás de um lugar ao sol. Praças, cafés, bares, monumentos e as margens do Danúbio ficam repletas de gente. Eles fazem, inclusive, churrasco no espaço público, mas sem o farofismo nacional. Nos três dias em que fiquei em Regensburg havia agenda cultural intensa. Foram dois dias de festival de música, do folclórico ao rock dos anos 1970 e rally de carros históricos preciosos. As pessoas se sentem honradas em andar em traje típico, o Dirndl, e cultuar as centenárias tradições que fazem de Regensburg um lugar para se guardar no coração por ser a própria expressão da beleza.

 

Marcio Fernandes é jornalista

Fotos: Marcio Fernandes

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Este post foi escrito por: Marcio Fernandes

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1 comentários em "Regensburg, Cidade Imperial do Rio Danúbio"

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