sábado, 18 de maio de 2024

Sevilha aguça todos os sentidos

 

É preciso ter olhos peritos para observação detida da arquitetura Mudéjar, a herança bendita muçulmana que fez Sevilha a Jerusalém do Ocidente – e tato delicado para tocar o relevo detalhado dos entalhes de portas e das pontes sobre o Rio Guadalquivir. Olfato apurado ao ponto de sentir o sumo das laranjeiras que decoram as ruas. Ouvidos atentos para acompanhar a batida das castanholas do flamenco nas praças e tablados. E paladar sem preconceito para degustar por inteiro encantada Andaluzia, de preferência com uma sangria.

Terra do barbeiro Fígaro, da cigana Carmen, a de Bizet, do conquistador Don Juan. Sevilha narra a história através da arte – o Mudéjar se mistura com o gótico e o barroco e nos obriga a andar olhando para cima ou girando o ponto de vista a 360 graus para não perder um detalhe sequer. Hospedamos no bairro da Juderia, onde os apartamentos do Airbnb são modernos e bem equipados, mas com fachadas antigas que abrigam charmosas sacadas, ideal para acompanhar o movimento das ruas e dar vontade de voltar tarde da madrugada.

 

 

Comer e beber – Ah, as ruas da Juderia: uma cervejaria em cada esquina, entre elas, casas de vinhos, de embutidos, padarias e queijarias perfumadas, e bares de tapas com as mais inusitadas combinações esculturais sobre uma simples torrada. Conselho? Peça o mix. Vale por uma refeição para duas pessoas sem chance de arrependimento. Não espere comer a mesma de ontem amanhã, eles as reinventam todos os dias. É uma espécie de gastronomia elaborada em lugares como tavernas e caves.

No roteiro do que é imperdível, separe metade de um dia para cada visita. A primeira delas, a Catedral de Sevilha, a maior em estilo gótico do mundo, tombada pela Unesco, guarda uma poderosa coleção de pintores sevilhanos e o Mausoléu de Colombo. O tour termina ao pé da Giralda, a torre de onde se tem a melhor vista da cidade. Não desanime: vença as 35 rampas, pois vale a pena ficar ofegante e perder totalmente o fôlego na chegada. Finalize com a contemplação do Pátio das Laranjeiras. Aliás, pátios são uma especialidade de Sevilha.

 

 

Templo de cerâmicas – Em eras analógicas, seria na Praça de Espanha que você gastaria todos os rolos de filme da máquina fotográfica. É monumental e estonteante, principalmente para quem ama cerâmicas. São 50 mil metros quadrados de arte e história. Construída para a Exposição Iberoamericana de 1929, pelo arquiteto sevilhano Aníbal González, simboliza o abraço de Espanha. É voltada para o Guadalquivir, de onde saíram os descobridores da América. Os espaldares dos bancos contam a história das Regiões Autônomas espanholas e as quatro pontes simbolizam os reinos que se uniram para formar a Espanha.

Próxima parada, o Real Alcázar de Sevilha, um dos mais antigos palácios em uso do mundo, onde estão estampadas influência das diferentes culturas que passaram pela cidade desde o século XI: quartos suntuosos, jardins florescentes, fontes, quedas d’água e pátios. O esplendor da Renascença também é contemplado em alguns salões. Noutros, magníficas coleções de tapeçarias que narram a conquista da Tunísia por Carlos V. Lustres. Atenção: nunca deixe de olhar detidamente o piso de cada ambiente.

 

 

Mais pontos de interesse

  • O Palácio de las Dueñas, casa da antiga duquesa de Alba.
  • O Museu Arqueológico, com obras dos povos que passaram por Sevilha.
  • O Metropol Parasol, na praça La Encarnación, a maior escultura de madeira do mundo, em estilo vanguardista, assinada pelo arquiteto alemão Jürgen Mayer-Hermann, com terraços panorâmicos, restaurante e mercado. No subsolo fica o Antiquarium, museu arqueológico com vestígios das civilizações romanas e árabes.

 

 

Triana e La Macarena

Atravesse o Guadalquivir pela ponte de metal e pedra e chegue a Triana, bairro que é o berço da cerâmica e do flamenco, aquele mais chorado, em pequenas casas e com bailarinos mais experientes. Vale um dia por lá. De volta, perca-se no boêmio bairro La Macarena, com seus cafés e bares de tapas aos montes. Essa é Sevilha que vai te chamar de volta sempre. E meu conselho é: nunca saia de lá sem extravasar todas as emoções usando os cinco sentidos.

 

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Este post foi escrito por: Britz Lopes

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2 comentários em "Sevilha aguça todos os sentidos"

  • Avatar Renata Paolucci disse:

    Você é fantástica Britz! Traduziu perfeitamente as belezas desta cidade ,que é encantadora! As dicas de passeios turísticos e dos bairros tradicionais , são excelentes,tanto p quem quer conhecer como para quem já esteve lá!
    Obrigada Britz.

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