quinta-feira, 18 de julho de 2024

Situação de sobrevivência em portuñol

 

Marcio Fernandes  – Acabou a moleza do Caminho de Santiago falado em português! Escrevo em uma placita em Redondela, depois de 20 quilômetros de exaustivos passos! O trecho de Tui a O Porriño não é exatamente longo. Porém, a quilometragem acumulada cobra um preço alto.

 

A saída de Tui é encantada. Em pequena lagoa fomos recebidos por sinfonia de sapos próximos a igreja abandonada. Eu e Paul obtivemos a bênção sob escultura de Santiago. Astral em alta, pois tivemos ontem régio jantar na companhia de extraordinário vinho da Rioja Alta. A partir de agora me chamo Cabron e soy de México. No pasa nada! Com todo seu vasto conhecimento de arquitetura, Heloísa descobriu que certo misterioso reservatório de água serve para lavagem de roupa. No bom sentido!

 

 

Em seguida atravessamos bosque lindo com entrada em forma de túnel de arvoredos. Em vários lugares há suprimento de água potável em muitas fontes. Embora ninguém estivesse de caladinha, ressaca particular que acomete os peregrinos, as fontes estavam lá para nos socorrer.

 

No Caminho, um pelotão do Exército espanhol estava em operação simulada. Muito bacana não fosse certa falta de motivação do pessoal. Generalíssimo Torres Y Molinos, penso que a galera pode se dedicar mais! Os militares falavam muito para pouco esforço na execução do binômio desempenho/disciplina. Definitivamente, estavam negligenciando tuas ordens!

 

Ainda caminhando sobre estrada romana de 2 mil anos, atravessamos três pontes de pedra em excelente estado de conservação. Espetáculo de engenharia!

 

 

A trilha estava lotada de peregrinos. Eu fiz serviço público-gratuito de orientação aos peregrinos no sentindo de evitar a grande roubada de passar pela zona industrial de O Porriño! Na próxima vez vou cobrar com taxímetro ligado em bandeira 2.

 

Logo após superar trecho por floresta sombria nos demos de cara com simpático criatório de galinhas caipiras. É impressionante como os galegos fazem um terreno de mil metros quadrados virar unidade produtiva de alta eficiência. No quintal das casas há boas hortaliças, vinhedo e até criação de carneiros.

 

Eu estava tão cansado que parecia um bacalhau na porta de venda, como dizia Dona Carlota. Parei para dar um tempo na trilha e ouvir rock progressivo de O Terço, banda brasileira da década de 1970.

 

 

Hoje não houve deposição de pedra em santuário. Embora o galego seja língua oficial, depois do Espanhol, nosso grupo não domina nenhum dos idiomas. Tivemos de nos virar na situação de sobrevivência com clássico portuñol. Inclusive Molly, poliglota de êxito.

 

Me sinto gratificado por ter completado mais uma etapa do Caminho de Santigo pleno de fé e ternura! Mañana será otro dia muchachos! Viva o México!

 

Hoje vou positivar o pessoal que já me socorreu no setor de alimentação com esperança de nunca ser esquecido.

 

O primeiro positivo vai para Flávia Conejo! Se sobrar algo daquela galinha d’Angola, por favor me mande uma quentinha. Grande Ovídio! Este positivo vai para consagrar aquele arroz com morango de ótima lembrança. Aletéia, hoje comi empanada relativamente boa, mas nada comparada à positividade da tua torta de atum. Querida Flávia do Carteado! Este positivo carinhoso é para ti e todo pessoal da Associação dos Amigos da Maria Tereza. Por último, um positivo renovado Let! Caso role um arroz à Dona Maria, envie foto para me consolar!

 

Marcio Fernandes é jornalista!

 

A música de hoje é Adios Muchachos com o extraordinário Carlos Gardel!

 

Avatar

Este post foi escrito por: Marcio Fernandes

As opiniões emitidas nos textos dos colaboradores não refletem necessariamente, a opinião da revista eletrônica.

4 comentários em "Situação de sobrevivência em portuñol"

Deixe uma resposta