segunda-feira, 17 de junho de 2024

Sobre a positividade gratiluz

 

Marcio Fernandes   Nossa! Tive pesadelo pavoroso noite passada. Ou foi hoje pela manhã. Não me lembro. Passei frio grande. O cobertor do albergue é curto. Você tem de decidir se socorre a orelha ou os pés. Da fresta da janela veio um vento como na canção do Lô Borges que a gente ouvia no começo dos anos 80. Abraço no Chico Leandro, cara que me apresentou a música em uma das idas a Santa Cruz de Goiás em meu Fusca Azul. Época da fita cassete.

 

 

Hoje o dia começou como previsto. Antes do suco de laranja, oxigenei o cérebro com quase meia garrafa de água Pedras Salgadas, a mais deliciosa da Península Ibérica. Como sempre acontece bateu aquela indecisão matinal que pode levar a roubadas clássicas. Há certas coisas que não como por causa do nome. Tapioca é uma delas. Outra é croissant. Nem bebo café. Não é que acabei mandando ver croissant e café com leite? Depois fui ao mercado de Ericeira. Compro pera, uva e maçã? Diante do impasse levei ameixa. Também vinho orgânico para a noite, queijo pequeno e uva.

 

 

Estou meio solitário. Acho que é falta de chocolate. Nem estava com fome, mas acabei parando em uma birosca pé sujo pois tinha arroz de pato. O pior de toda minha existência. Perdão Bel por não ter ido ao jantar em que você preparou o prato mais querido de todo Portugal. Ué, aquele dia ficou decidido que você faria arroz de pato, mas não foi fixada uma data certa assim. A perda só não foi de 100% pois você enviou uma marmitinha. Essa Maria Tereza me mata.

O quarto do albergue está uma bagunça expressiva. Preciso tomar uma providência e seguir a palavra mágica da Britz: organização! Só trouxe uma calça jeans e tendência é de que as coisas deem uma piorada em termos de vestuário. Tenho antipatia de rede social e sempre achei estranha a prática abusiva da gratidão. É aquele falso recebimento da luz interior. O algo a mais que está acima de você. Ou seja, a platitude plena de dissimulação. Soube que o nome deste sentimento é gratiluz.

 

 

Por precaução fui à farmácia comprar medicamento para gastrite. Para amanhã não há nada decidido, mesmo porque não vai funcionar. Caraca, fechei o sábado em trilha grande nas falésias de Ericeira e andei bem além da Freguesia da Carvoeira! Gostei pacas deste nome e até agora zero de gratidão. Exceto que fui autorizado a usar o shampoo das australianas. As duas estavam tomando banho juntas. Sabia que se tratava de um casal. A música do dia é Pera, Uva ou Maçã de Paulinho Tapajós!

Marcio Fernandes é jornalista

 

 

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Este post foi escrito por: Marcio Fernandes

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