terça-feira, 9 de junho de 2026

Tem muito dinheiro para tudo, menos para a educação infantil

 

Hiram Souza – A OCDE, Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, fez um estudo mundial sobre o impacto negativo do uso continuado de dispositivos digitais por crianças de cinco anos. O estudo internacional “Aprendizagens e Bem-Estar na Primeira Infância” (ILES da sigla em inglês) mostra o desempenho de alunos da pré-escola nas áreas de literacia que antecede a alfabetização formal, como interesse por livros e vocabulário; numeracia (primeiras noções de matemática), em habilidades socioemocionais e ainda em funções executivas, como memória de trabalho e flexibilidade mental. Esta foi a primeira vez em que crianças brasileiras da educação infantil foram avaliadas de forma direta, ou seja, por meio de atividades em tablets, além das perguntas feitas por professores ou pais.

 

Países participantes da avaliação: Inglaterra, Bélgica, China, Coreia de Sul, Emirados Árabes Unidos, Holanda, Azerbaijão e Malta. No Brasil, por falta de recursos, a amostra foi feita em apenas três estados: São Paulo, Ceará e Pará. Um estado reconhecidamente avançado, um no norte e outro no nordeste, num país de 27 Estados. A pesquisa deveria ter sido feita no mínimo, em dez ou 12 estados, mas por falta de recursos foi realizada em apenas três. Pena que nas emendas, os senhores parlamentares não se interessem por esses estudos, afinal, criança de cinco anos não vota né?

 

Mas tem um dado que me chamou atenção. Nesse estudo, as crianças de cinco anos apresentaram desempenho superior à média global em literacia, o dado que mede o interesse por livros e vocabulários. Tivemos média igual à de países avançados como Inglaterra, Coreia do Sul, Bélgica, Holanda e China.

 

Mas emperramos em numeracia, pois ficamos muito abaixo da média quando falamos de matemática, com nossas crianças apresentando resultados inferiores à média global. Destaco aqui que nossas crianças obtiveram 502 pontos em linguagem, mas, apenas 456 em matemática.

 

Essa deficiência traz dificuldades em contar, calcular troco, ler relógios analógicos, diferenciar menor e maior, memorizar tabuada, desafios para entender valores, o que gera a falta de autoconfiança escolar; enfim, as crianças brasileiras são ruins com números. Mas estamos no Brasil, onde para eleição ou reeleição vale tudo.

 

Pouco ensino, porque a ignorância favorece os já eleitos e escolas de medicina que ensinam militância. Ensino no mundo decente é estratégico, no Brasil é só negócio e tão bom que as multinacionais já acordaram para esse ramo no Brasil.

 

Este post foi escrito por: Hiram Souza

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