domingo, 21 de abril de 2024

Troca-se amor eterno por prazer instantâneo

Briefing News  —  Desde os primeiros dias do nosso aprendizado em publicidade, sabemos que um dos efeitos do nosso trabalho é moldar o conceito das empresas, ao criar uma imagem carregada de elementos emocionais que, ao longo do tempo, representa um ativo desse anunciante.

Não entendeu? Vou explicar.

Imagine que o engarrafador de Coca-Cola perdesse seu contrato. O que é mais fácil? O concessionário que perdeu o contrato usar sua fábrica para engarrafar um refrigerante desconhecido, ou um novo industrial sem fábrica instalada se habilitar a produzir Coca-Cola a partir da construção da sua fábrica?

Qual ação seria mais bem sucedida?

Racionalmente, qualquer mistura de xarope de frutas com água carbonatada é um refrigerante e pode saciar a sede. Mas só Coca-Cola dá o prazer de refrescar o seu dia, trazer alegria para o seu momento, matar a sua sede e etc.

Você escolhe uma marca porque a publicidade lhe agregou uma série de valores intangíveis, e ela passa a valer muito mais do que qualquer outra que não tenha esses componentes emocionais.

É o amor eterno do título. Um pouco por dia, a publicidade vai construindo essa moldura única que vai trazer lucros e fidelidade do consumidor.

Mas o surgimento dos canais digitais, como esse em que você está lendo este artigo, fez com que a maioria dos anunciantes optasse por definir a mídia digital como sua ferramenta básica de comunicação, e abrisse mão do amor eterno do consumidor por um prazer instantâneo, das vendas promocionais turbinadas pelos “digital influencers”.

Você pode pensar: quer dizer que eu, Marco Antonio, utilizando um canal digital, estou negando a importância dessa mídia?

Nunca. O meio digital faz parte do nosso mundo, tem sua importância, mas, como sempre aconteceu na história dos meios de comunicação, as novas mídias nunca substituíram as velhas mídias. A TV não matou o rádio e nem o cinema. Os canais fechados não liquidaram a TV aberta. A internet jamais teve a pretensão de substituir nenhuma mídia existente.

O cenário mudou e os meios de comunicação tradicionais ainda não fizeram toda a lição de casa. Devem repensar mudanças nos conteúdos. Mas a reputação de uma marca ainda depende da combinação das mídias tradicionais com os meios digitais. A venda e o prestígio podem ser impulsionados pela feliz associação de ambas, e a venda imediata pode ser atingida pela mídia digital.

O que nunca vai mudar é a construção do conceito da marca, que lá atrás, há muitos anos, era garantido pela propaganda boca a boca.

Isso aumenta a chance de um amor eterno do consumidor com a sua marca. E aqui, aumentamos suas chances de vender de hoje para amanhã. O prazer é redobrado.

 

Foto: www.lesliediniz.lel.br/peca.asp?ID=144716

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Este post foi escrito por: Marco Antônio Chuahy

As opiniões emitidas nos textos dos colaboradores não refletem necessariamente, a opinião da revista eletrônica.

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