sábado, 18 de maio de 2024

Uma Maria Madalena que clama por DNA 

 

Três dias depois da notícia de que uma pintura de Maria Madalena, pertencente a um colecionador particular, foi atribuída por estudiosos a Rafael Sanzio, mestre da pintura e da arquitetura da escola de Florença durante o Renascimento italiano, Vittorio Sgarbi, o subsecretário italiano de Cultura, disse que “Não há possibilidade de que o quadro anunciado como Rafael seja do mestre urbino. É apenas um furo jornalístico, pois se baseia no conhecimento de poucos e se trata de uma obra de coleção particular, com legítima aspiração do proprietário de possuir um Rafael.”

 

Foi um balde de água fria na poderosa comissão que se formou para certificar a obra, cujos resultados foram apresentados durante uma conferência internacional ocorrida  em Pergola e intitulada “A Beleza Ideal – A visão da perfeição de Rafael Sanzio”. O quadro em questão foi analisado por um time de especialistas, como a Irmã Maria Cecília Visentin, professora especializada em iconografia religiosa da Ordem dos Servos de Maria; Annalisa Di Maria, uma das maiores especialistas internacionais em Leonardo da Vinci e no Renascimento italiano, especializada na corrente neoplatônica, e, na parte científica, o professor emérito Jean-Charles Pomerol da Sorbonne, ex-reitor da Universidade Pierre e Marie Curie, e Andrea da Montefeltro, pesquisador e escultor.

 

Os especialistas haviam concluído que se trata de “um supremo resultado artístico do Renascimento italiano”, uma redescoberta da obra-prima de Rafael. Concluíram, também, que a versão de Rafael seria anterior à de Perugino e teria servido de modelo para as outras duas. Reforçando a atribuição a Rafael, há o uso da técnica de esfumaçamento identificada por análises laboratoriais.

 

 

Na polêmica obra, o rosto emprestado à Maria é na verdade Chiara Fancelli, esposa de Perugino, que foi mestre do pintor – Rafael, posteriormente, superou seu professor no quesito perfeição. A obra data do início do século XVI e é um óleo sobre painel de madeira medindo 46 por 34 centímetros. Há uma versão dessa mesma pintura na Galeria Palatina do Palazzo Pitti, autenticada como obra de Perugino, e outra na Villa Borghese.

 

O quadro seria publicado nesta semana na revista científica “Open Science, Art and Science”, com o título “A Madalena de Rafael ou quando o discípulo supera o mestre”. Então, vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.

 

Sgarbi, que sempre causa polêmica quando abre a boca, diz, ainda que “A obra é uma versão, talvez autografada, de um protótipo de Perugino preservado no Palazzo Pitti, do qual outra versão é conhecida na Galleria Borghese. É difícil que em 1504, quando, em contraste com o seu Mestre nas Bodas da Virgem de Caen, Rafael. No máximo, portanto, a nova versão, de coleção particular, é uma réplica de Perugino. O jogo do particular que possui uma obra mais autêntica que a de um museu – conclui Sgarbi – já foi tentado, para Rafael, com o autorretrato juvenil. Depois a febre passou. Mas é claro que a propriedade privada e o conhecimento vivo de apenas alguns estudiosos são prejudiciais ao reconhecimento da autografia.”

 

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Este post foi escrito por: Anna Paula Guerra

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