segunda-feira, 17 de junho de 2024

Uma ópera bufa ou distribuição de alfafa?

 

Honestamente, não me lembro de uma indicação ao Superior Tribunal Federal, mais conhecido como o “Supremo”, estar despertando tanta controvérsia. Deve ser porque o indicado tem sérios antecedentes que, se não são criminais, andam próximos a isso. O advogado do Marco Pólo da Silva conquistou, e diga-se, merecidamente, a indicação para a chamada Suprema Corte.

 

Merecida porque conseguiu, com a ajuda dos seus futuros colegas, façanhas incríveis em benefício do, hoje, indicador. O nosso Marco Polo da Silva está pagando um favor indicando o Dr. Cristiano Zanin para o STF. Que pela idade que tem, ficara lá por anos a fio.

Ronald Reagan, quando presidente dos Estados Unidos, disse certa vez em defesa do seu indicado, que na Suprema Corte americana não se pagam favores. Por lá parece que não, já por aqui tenho minhas dúvidas. Como já disse, se por aqui se pagam favores posteriores, não sei. Mas tenho a certeza de que se pagam favores anteriores, para a indicação, essa dúvida eu não tenho.

 

Aconteceu com o caso do “telefone haqueado” da mulher do presidente Temer, que estava sendo chantageada e que foi recuperado rapidamente pela polícia paulista, exatamente quando Alexandre de Moraes ocupava o cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo. Dizem também que o celular foi devolvido sem que ninguém tivesse olhado o que tinha em sua memória. Baita favor, já que o chantagista, segundo a Folha de S. Paulo, estava ameaçando jogar o nome do presidente Temer na lama.

 

Já o caso da atual indicação apenas leva em consideração o trabalho profissional do Dr. Zanin, que conseguiu tirar o Marco Polo da Silva da cadeia, com incríveis artimanhas jurídicas até então inusitadas, o que lhe confere um belo conhecimento jurídico. Ou ainda, dos tortuosos caminhos da justiça brasileira.

 

Antes do protagonismo do STF na vida brasileira, ninguém dava bola para as indicações que os presidentes faziam. Ocorre depois do acontecido na Venezuela, onde a Suprema Corte validou os desmandos “antidemocráticos” do comandante Chavez, desestimulando que a comunidade internacional pudesse intervir, o que por sinal ocorre até hoje.

 

Voltando à indicação do Dr. Zanin, temos uma clara visão que o fato se dá em pagamento aos favores prestados pelo indicado ao hoje indicador. Afinal, isso é ilegal? Não, não é ilegal, mas fica muito longe da moralidade desejada entre os poderes. Moralidade? Poderes? Mas o Dr. Zanin não cobrou pelos seus serviços?

 

A época comentava-se que o hoje indicado era regiamente pago, mas precisamos lembrar que a defesa contou com um grupo, uma banca de advogados, todos profissionais altamente qualificados no seu métier. Quem não fez o “L” precisa entender que a cobiçada vaga é para uma só pessoa, não é possível levar para dentro do STF toda a banca que ajudou o Dr. Zanin. Isso desequilibraria a ponderabilidade existente na Corte, que é responsável pela observância da nossa Constituição.

 

Seguindo o rito, o Senado certamente irá aprovar com louvores a indicação. Antigamente, e a gente nem sabia o porquê, o STF costumava manter cheias as suas profundas gavetas, com 8 anos de mandato, os ilustres senadores regiamente pagos para nos representar sabem que o Dr. Zanin vai ficar por lá por muito tempo, então é melhor se dar bem com ele.

 

 Hiram Souza é publicitário de longa data e observador contumaz da vida. Escreve com humor e leveza sobre política, comportamento, educação e muito mais. Leia e comente!

 

 Foto: Divulgação PT

Avatar

Este post foi escrito por: Hiram Souza

As opiniões emitidas nos textos dos colaboradores não refletem necessariamente, a opinião da revista eletrônica.

Deixe uma resposta